A cerveja foi criada a milhares de anos, sendo uma bebida muito popular no mundo inteiro. Entretanto, há pouco tempo começou a figurar nos itens gastronômicos, como um elemento de harmonização, não apenas como acompanhamento.

Essa associação nunca existiu por motivos culturais, nascidos na idade média. Nessa época, havia uma grande identificação da cultura vinícola com a religião, que fez o vinho estar sempre ligado à nobreza, enquanto a cerveja era vista apenas como uma bebida das massas. Passaram-se os anos e essa tendência era cada vez maior. Hoje, apesar do crescimento, são poucos os restaurantes que possuem uma carta de cervejas (com exceção da Bélgica, onde a cultura cervejeira é maior que em qualquer outro lugar no mundo), mas a carta de vinhos está presente obrigatoriamente em todos eles.

Apesar disso, a opinião de muitos especialistas em gastronomia é o favorecimento à cerveja em relação à combinação com elementos gastronômicos, sendo mais versátil até que os vinhos. O vinho depende fundamentalmente da uva utilizada em sua produção para definir suas características, diferente da cerveja, que possui diversos elementos e consegue ser muito flexível em relação aos sabores e características em geral.

Para harmonizar bem uma cerveja e um prato, é necessário atenção e não observar apenas os ingredientes principais, mas ao molho, temperos e todos os elementos que compõem o prato, além de ingredientes adicionados à cerveja, que muitas vezes trazem características únicas para a bebida.

De um modo geral, podemos dizer que harmonizamos pratos e cervejas seguindo três combinações distintas:

Semelhança: pratos e cervejas com elementos em comum (dulçor, acidez, amargor, frutados, entre outros). É necessário cuidado para que não se torne uma combinação enjoativa.

 

Exemplo de harmonização: Brooklyn Black Chocolate Stout com sobremesa de chocolate amargo.

Contraste: pratos e cervejas com elementos diferentes (dulçor e amargor, claro e escuro, refrescância e picância). A ideia é que a combinação valorize ambos os elementos, por isso é preciso atenção para que nem a bebida nem o prato sobreponha-se ao seu par.

Exemplo de harmonização: Westmalle Dubbel com pratos apimentados.

Equilíbrio: pratos e cervejas que tenham características parecidas (pratos leves com cervejas leves, pratos robustos com cervejas robustas). Essa combinação é a mais simples e abrangente, pois possibilita que seja composta por diversos elementos diferentes.

Exemplo de harmonização: Bamberg Rauchbier com costela de boi.

E antes de tudo, lembre-se, a cerveja é uma bebida informal, portanto, o principal ponto para uma boa harmonização é que esse seja feita em um ambiente divertido e amigável.

E se você quiser, faça suas misturas, tente, erre, acerte. O que importa é buscar novas experiências e explorar ao máximo o que a cerveja pode te proporcionar.

Como vocês sabem, esse blog é parte integrante de um clube de harmonizações, o Brejada. Aqui, publicaremos os resultados de nossos eventos de harmonização e, mais que isso, publicarei dicas de harmonização, seja ela um experimento meu ou de outro amigo cervejeiro.

Portanto, se você se interessa pelo assunto ou tem alguma sugestão de harmonização, entre em contato conosco através do e-mail contato@brejada.com e nos envie sua harmonização.

Cheers!