Para ver a primeira parte desse artigo, clique aqui

Conforme havíamos comentado na primeira parte desse artigo, são cinco critérios utilizados para avaliarmos uma cerveja. Dentro desses critérios, varias são as informações que devem ser analisadas. A seguir, vamos apresentar cada uma dessas características.

Aparência

A aparência diz muito sobre a cerveja, tanto a respeito de seu estilo quanto em relação a sua qualidade. Esse critério pode ser considerado o mais objetivo, por depender pouco da interpretação do avaliador. Para melhor análise da aparência da cerveja, ela deve ser servida em um copo transparente, de preferência compatível com o estilo da cerveja (mais tarde falaremos sobre os copos ideias para cada tipo de cerveja). Além disso, esse deve estar limpo e livre, principalmente, de resquícios de sabão. O sabão “mata” a formação da espuma ideal da cerveja.

As características relacionadas à aparência de uma cerveja são:
Cor: A coloração da cerveja revela como foi seu processo produtivo e em qual estilo ela pretende ser classificada. Quanto mais escura for a cerveja, maior foi a torrefação do malte ou foram utilizados maltes mais escuros para a produção dela. Se a cerveja for mais turva, pode ser sinal da ausência do processo de filtragem, entre outras coisas.

A cor da cerveja segue um padrão de classificação chamado SRM (Standard Reference Method – Método Padrão de Referência). Nesse padrão, cada cerveja deve ser classificada em sua coloração com a nomenclatura adotada no SRM. Abaixo, uma tabela com as cores e sua classificação numérica e por nomenclatura:

PLANILHA SRM

Note que existem cores bem próximas, o que algumas vezes torna a avaliação dúbia, trazendo diferenças entre avaliadores. Geralmente, a diferença não ultrapassa duas classificações. Outro ponto ligado à coloração da cerveja que deve ser observada é sua claridade, ou transparência. Para apurar esse critério, coloque a mão do outro lado da taça e veja se consegue enxerga-la com facilidade.

Espuma: A espuma diz muito sobre a cerveja, e é nela que se concentram aromas importantes para nossa avaliação. Entretanto, retendo-se apenas à aparência, deve-se observar a aparência da espuma (bolhas, cremosidade), a formação (formou muita espuma, pouca), a persistência (quanto tempo durou, diminuiu rápido?) e a coloração. Lembrando, essas características vão variar de acordo com o estilo da cerveja, ou seja, a avaliação deve seguir esse pensamento. Por exemplo, uma cerveja Weiss tem por característica formar bastante espuma, já uma Russian Imperial Stout, nem tanto.

Geralmente, esse quesito é julgado de 0 a 3 (padrão BJCP). Nos principais sites de avaliação, como o Brejas e o Beeradvocate, o quesito é julgado de 0 a 5. A nota aumenta de acordo com a boa aparência da cerveja no copo e aderência às características presentes no estilo que essa se propõe.

Aroma

Quando você vê algum apreciador de vinhos experimentando algum exemplar, ele mexe a taça e sente o aroma da bebida, ou bouquet. Para muitos, isso ainda é bem estranho, apesar da maioria das pessoas entenderem que esse ritual faz parte de uma degustação de vinhos. E quando no lugar do vinho, a bebida é uma cerveja?

Nesse caso, a maioria das vezes a reação é uma risada contida, ou nem isso. Quem cheira uma cerveja?

Pois bem, essa é uma das mais importantes etapas de uma degustação e de uma avaliação. Identificar os aromas que a bebida traz é boa parte do trabalho que um degustador deve ter, pois é no aroma que a bebida vai mostrar a que veio e quais elementos ela quis destacar, além de ter papel fundamental em identificar defeitos na bebida.

A análise inicial é em relação aos elementos presentes na cerveja. Qual a presença dos maltes, do lúpulo, quais, e se apresentam, ésteres ou outros aromas? O objetivo principal é identificar todo e qualquer aroma que a bebida venha a apresentar, mesmo que não façam parte da composição dela. Por exemplo, em algumas cervejas com grande carga de lúpulo, como as IPAs, sente-se o aroma de maracujá, nas cervejas de trigo, sente-se aroma de pão ou banana.

Essa análise e seus resultados irão, com o tempo, ficar cada vez mais abrangentes, pois sua memória olfativa ficará cada vez maior e com mais aromas no “catálogo”. Por isso, quando você ver algum cervejeiro dizendo que “sentiu notas de tomilho”, e você não sentiu nada, não se preocupe, a percepção olfativa, por mais que esteja treinada, sempre vai ser diferente entre pessoas com experiências e tempos de análise diferentes.

Para avaliar o aroma, primeiro, como em todos os critérios, entenda o estilo e principalmente a proposta da cerveja. Uma dica é ler o rótulo da bebida e ver se há alguma intenção que a cerveja apresente elementos diferentes. Por exemplo, uma bebida que descreve em seu rótulo a presença de gengibre e não apresenta notas consideráveis em seu aroma, ao menos nesse ponto não cumpriu tão bem sua proposta. Analisando, dentro do estilo e proposta, a breja apresentou aromas agradáveis e compatíveis com o que se espera, a nota dela é boa.

Algo que onera muito uma cerveja é apresentação de aromas indesejáveis, que demonstrem defeitos, leves ou graves, na cerveja. Alguns exemplos são: cheiro de papelão (sinal de oxidação, cerveja vencida), sabão (mau estado das leveduras), manteiga (presença de diacetil), entre outros.

Geralmente, esse quesito é julgado de 0 a 12 (padrão BJCP). Nos principais sites de avaliação, como o Brejas e o Beeradvocate, o quesito é julgado de 0 a 10. A nota aumenta de acordo com a qualidade aromática da cerveja, as notas proporcionadas, a complexidade, a força do aroma (aquela cerveja que invade a sala assim que aberta), e tudo que possa agradar o avaliador.

Bom, a segunda parte de como funciona uma avaliação fica por aqui. Na próxima semana, falaremos sobre o sabor, tato e conjunto, ou seja, finalmente “beberemos” em nossa avaliação. Além disso, teremos um passo a passo com dicas especiais, desde o momento em que a bebida é colocada no copo até o último gole. Não percam!

Cheers!