Quanto custa essa cerveja? – Brejas da Bru

A cerveja artesanal tem crescido a passos largos no Brasil, mas ainda assim as cervejas de grande massa, as chamadas mainstream, são dominantes no copo de alguns consumidores. Gingando na casa os centavos ou até poucos reais, a transição do camarada vai não só na “adaptação” do paladar para cervejas mais desafiadoras ou que sejam, de fato, puro malte, como também na disposição de investir muito mais financeiramente. Os culpados? Vários, a começar pela nossa carga tributária para as artesanais, custos dos insumos, cadeia de distribuição, margem do ponto de venda e por aí vai. Além, óbvio, da crise econômica que estamos vivendo.

 

Até um tempo atrás, dentro do nosso próprio mercado, havia a famosa pesquisa de preços, “listas negras ou muambas”, onde as cervejas tinham valores mais em conta e as pessoas comparavam produto A e B, de maneira até levemente marginal. Já vi muita gente torcendo o nariz, porque o rótulo era mais barato perto da média geral e sempre achei a maior bobeira. Não é porque é caro que é bom e vice-versa.

Hoje, por conta do amadurecimento do consumo, a galera está mais disposta a pagar caro por um produto condizente e, mais do que isso, sabendo separar o milho do trigo (ui, trocadilho cervejeiro) e entendendo que, cada cervejaria/ cerveja tem a sua realidade e identidade, dentro da cadeia.

Em caminhos distintos, mas trilhando para o mesmo destino, temos a Dogma com seus lançamentos furacões, onde lançou/acabou, sempre na média dos R$ 45,00 e a Maniacs, na estrada ao lado, com o seu polêmico lançamento de latas custando até R$ 10,00. Sem considerar as cervejas que custavam (média) R$ 12,00 no passado, hoje estão beirando o dobro e ainda assim vendem feito água. Tem mercado, tem. São cervejas excelentes, muito. Onde está o pulo do gato? Aaah, rapaz, aí eu te digo: no consumidor. Sim, nós. Eu, você, o entusiasta, o geek. Todo mundo. A geral.

O consumidor é quem evolui com o tempo, que dribla as instabilidades financeiras e é quem, lá na ponta, vai dizer o que dá certo. O país está em crise, a economia está respirando no sufoco, mas alguns os hábitos se mantém. Se cabe no bolso, eu compro. Se não, deixo passar (mesmo chorando em posição fetal na cama, com um pacote de Ruffles ao lado e xingando o holerite – só não façam textão no Facebook ou mandem áudios com mais de 2 minutos nos grupos de WhatsApp).

E por fim, muito além dos números que precificam um produto, está o valor emocional que aquela cerveja tem para você. Estou falando de paixão. E nessa meu amor, a cartada é de acordo com a vontade. Sem blefe.

 

Agora, façamos um exercício mental: pense na sua cerveja preferida, aquela que falamos no post anterior, que é o teu mago da sorte. Pensou? Se ela custasse 10x mais, você ainda a consumiria? E se fosse 10x menos?

Será que o preço dita o seu conceito de qualidade por um rótulo?

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Sobre nossa Colunista

Bruna Garcia

bruna garcia

Publicitária, beer sommelière, mestre em estilos, técnica em harmonização e responsável por cervejas no CluBeer.

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