Profissões Cervejeiras – Fabricante de Equipamentos Homebrew

 

Uma pergunta comum nos dias de hoje: “Qual a melhor cerveja?” A cada dia, mais brasileiros respondem: “A minha!”. Este cenário é resultado do interesse crescente não somente no consumo, mas também em se fazer a própria cerveja. Assim nasce um “cervejeiro caseiro”, ou “homebrewer” que acaba adquirindo equipamentos Homebrew.

Gostaria de deixar claro que não estou aqui menosprezando a maneira mais comumente empregada de se fazer cerveja. Mas sabemos que o controle dos processos e parâmetros da fabricação são determinantes para se obter uma cerveja de qualidade. E equipamentos semi-automatizados podem ajudar muito neste controle, além é claro de diversas outras vantagens.

Entrevistamos 2 profissionais da área que trazem dicas e informações sobre equipamentos semi-automatizados para fazer cerveja em casa.

São eles (por ordem alfabética):

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Fabricante Equipamentos Homebrew

Alexandre Ratinho – My Beer

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responsável pela comunicação e marketing da My Beer (www.mybeer.com.br), localizada em São Paulo, capital

Fabricante Equipamentos Homebrew

 Marcelo Nicolosi – Mec Bier

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Gerente comercial da Mec Bier (www.mecbier.com.br), localizada na cidade de Pompéia no Estado de São Paulo

 

Fabricante Equipamentos Homebrew – Entrevistas

1) O quanto cresce no Brasil este mercado (leia procura por equipamentos mais sofisticados) de cervejeiros caseiros?

 

Alexandre: Por estarmos há pouco tempo no mercado, fica difícil fazer uma projeção, mas com base nos fatores macroambientes de 2015, a crise econômica reflete nas conversões por este tipo de equipamento. Outros pontos a destacar, é o que respondemos nas perguntas 2 e 6. Contudo, num cenário ideal, publicaríamos números mais empolgantes.

Marcelo: 5%

2) Sabemos que cervejeiros caseiros merecem equipamentos de qualidade e ter controle dos parâmetros influenciam diretamente na qualidade da cerveja. O cervejeiro caseiro brasileiro está culturalmente ciente dos benefícios que equipamentos automatizados ou semi-automatizados podem trazer?

 

Alexandre: Na verdade, qualidade é algo muito subjetivo e cada cervejeiro, seja os iniciantes ou os avançados, os caseiros (hobbistas) ou os profissionais (cervejarias), possuem uma necessidade, uma realidade e uma percepção.

Quando resolvemos projetar nossos equipamentos, há a somatória de vários pontos como o que acreditamos como empresa. Desde o que tivemos de experiência como cervejeiros de panela, conhecimento teórico e prático dos processos cervejeiros existentes, até o conhecimento de todas as patentes depositadas no Brasil. Claro que também no que podíamos modificar e evoluir,  resultaram em qualidade naquilo que acreditamos.

Dentro dos gêneros de equipamentos citados, o papel do cervejeiro operacional é muito importante. Vai muito além de operacionalizar ou apenas deixar os controles digitais de temperatura e tempo trabalharem sozinhos.

O cervejeiro precisa primeio ter conhecimento do sistema que foi adotado no equipamento. A forma de trabalhar com um tribloc, um single-vessel ou panelas convencionais possuem particularidades e o cervejeiro que precisa se adaptar as receitas com a essência de cada sistema e não o contrário e assim ter resultados positivos.

É comum encontrar cervejeiros  que gostam do processo “roots” ou que já passaram por isso e buscam praticidade e melhores controles. É assim dão origem aos equipamentos semi-automatizados ou automatizados.

Para criar uma cultura desses equipamentos os iniciantes devem no mínimo participar do processo convencional e entender a verdadeira necessidade dos componentes modernos.

Isso vai desde iniciar em panelas para fogões, termômetro analógico, inércia térmica (apaga e ascende), resfriamento por chiller de imersão , limpeza entre outras situações “braçais”.

Os cursos básicos tem uma grande importância neste ponto, se as escolas  no Brasil, fizessem uma brassagem paralela com equipamentos modernos, com certeza favoreceria o melhor entendimento dos benefícios que trazem. Assim como se os conteúdos na internet não reforçarem a importância na exatidão das temperaturas e tempos com certeza o iniciante não optará por um equipamento sofisticado.

Cervejeiros que já passaram pelos desafios do processo convencional sabem a importância que estes equipamentos trazem ao resultado final.

Para finalizar, uma simples analogia. Bicicleta e  carro são veículos de locomoção e dependendo da necessidade lhe dará uma excelente ou péssima experiência, mas ambos permitem chegar no mesmo destino. Não diferente para cervejeiros versus equipamentos.

Cada empresa possui uma visão e o interessado opta pela melhor proposta, aquela que melhor atende a necessidade. Que vai do hobby ao plano de negócio.

Marcelo: Hoje com certeza.

3) Os equipamentos nacionais perdem em qualidade com os importados?

 

Alexandre: Como citei no primeiro parágrafo da pergunta 2, qualidade é subjetivo, mas culturalmente o brasileiro possui tendência aos produtos importados e esta conversão aos nacionais, não dependem somente dos fabricantes que acreditam nas próprias criações, mas também na maturidade do mercado, nas experiências dos clientes e nos formadores de opniões com críticas construtivas.

Atualmente é comum encontrar opinião distorcida e leviana por ai, e todo “especialista” têm uma parcela de “achismos”.  Isso dificulta a evolução de algumas empresas e favorece produtos importados. Não que sejam melhores, mas à cultura de origem endossa a decisão do consumidor brasileiro.

Por exemplo, aqui na MyBeer, antes de lançar nossos produtos, definimos o sistema single-vessel como espinha dorsal das nossas cozinhas, e as experiências no passado como cervejeiros caseiros nos fizeram decodificar melhorias significativas ao single-vessel, e só assim, durante os 18 meses de projeto, entre erros e acertos, decidimos fabricar um equipamento totalmente diferente daquele importado. Aqui, acreditamos neste processo cervejeiro, já fizemos receitas maravilhosas, até pubs adotaram este modelo de equipamento e estamos dispostos a evoluir ainda mais. Depois de lançarmos, foi perceptível que ousadia refletiu positivamente na evolução dos produtos concorrentes nacionais e internacionais.

Nos orgulhamos, porque desenvolvemos um single-vessel incomparável. Fomos a primeira empresa a evoluir e adicionar atributos técnicos que não existia em nenhum outro single-vessel no mundo.

Desde sensor de nível, monitoramento da temperatura do mosto frio, resfriamento mais eficiente por  trocador de calor brasado da Alfa Laval, bomba sanitária, tubulações rígidas de inox, conexões SMS, válvulas borboleta, guincho com freio automático, interface homem máquina touch-screen, controles de temperatura com 55 leituras por segundo, robustez e muitos outros pontos que contemplam num equipamento cervejeiro.

Concluindo, em outros países a cultura cervejeira é mais difundida do que no Brasil, mas o que explica cervejas nacionais premiadas lá fora ? – Sim, aqui temos muito potencial e muito conhecimento à compartilhar com os outros países, tanto para cervejas quanto para equipamentos, e nós brasileiros precisamos valorizar o que é nosso, porque juntos somos muito mais fortes.

Marcelo: Nenhuma

4) Existe concorrência grande dos importados? A alta recente do dólar já começa influenciar no mercado?

 

Alexandre: Existe, mas não tão grande quanto entre os produtos nacionais. Dentro dos nossos concorrentes poucos estão preocupados em realmente evoluir os equipamentos ou processos, e a maioria dos outros, replicando.

Com certeza o dólar já refletiu na MyBeer assim como os inúmeros impostos,  Sabemos também que alguns fornecedores estão sendo oportunistas quanto ao assunto, isso reflete diretamente em nossos preços. Tudo isso é muito preocupante e desafiador.

Marcelo: Hoje não. No passado, final dos anos 90 para 2.000 existia americano e alemão. Hoje os nacionais estão com muita tecnologia e qualidade.

5) Cite três grandes desafios de um fabricante de equipamentos para o homebrewer?

 

Alexandre: Resumidamente são estes:

  • Preço x Valor

  • Legislação e Normas

  • Investimento x Gasto

Marcelo: Manter o preço, qualidade e inovação.

 

Agradecimento especial aos  colaboradores Alexandre, My Beer e Marcelo, Mec Bier que têm contribuído diretamente no crescimento do mercado cervejeiro no país.

Saúde a todos! E que mais cervejeiros caseiros apareçam!

Denny Ueda

Denny Ueda é Beer Sommelier e mestre em estilos formado pela ABS Instituto da Cervejaalém de ter uma vasta experiência profissional no ramo cervejeiro. Já foi proprietário da loja virtual Estação Cerveja, trabalhou na Cervejaria EikBier como consultor de negócios, na Wtrends como coordenador de projetos e atualmente possui uma empresa de consultoria, treinamentos e prestação de serviços vinculados a cerveja, a Plan Beer.

 

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