Cerveja & RocknRoll – Inocentes

Salve Brejeiros, temos mais um episódio de Cerveja & Rock n Roll e desta vez a banda participante é a lendária Inocentes, entrevistamos Clemente Tadeu, fundador, vocalista e guitarrista da banda.

 Clemente Nascimento contou um pouco de como foi ter sido a primeira banda punk nacional a assinar com uma gravadora multinacional, também sobre a cena punk nacional, citando algumas bandas que ele acredita terem futuro na música alémde de falar sobre o lançamento da cerveja que marca o aniversário de 37 anos da banda. O estilo da cerveja é uma IPA com Avelã da Cervejaria suméria, mesma receita da Angry Nuts da cervejaria com nova roupagem.

No final do vídeo um clipe da música Nem tudo volta, gravado durante o lançamento.

Inocentes – história

O Inocentes começou  em agosto de 1979

A história do grupo começa em 1979, quando Três ex integrantes da banda Condutores de Cadaver, entre eles Clemente Nascimento, que era um veterano da cena punk, pois havia formado o Restos de Nada (primeira banda punk paulistana) em 1978. A formação original era o guitarrista Antônio Carlos Callegari, o baterista Marcelino Gonzales, baixa Clemente e o vocalista Mauricio.  O nome Inocentes foi inspirada em uma música dos primórdios do punk inglês, de John Cooper Clarke, “Innocents”

Em 1982, foram convidados, junto com Cólera e Olho Seco, a participar da coletânea Grito Suburbano, o primeiro registro sonoro das bandas punks brasileiras, lançada pelo selo Punk Rock Discos

Foi então que com a explosão do movimento punk paulistano, o Inocentes conseguiu projeção nacional, cegarama até a participar do documentário Garotos do Subúrbio e do curta Pânico em SP.  Clemente também ficou marcado nessa época ao escrever um manifesto para a revista Gallery Around, com uma frase que ficaria famosa: “Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer.”

No fim do mesmo ano, já com um novo vocalista, Ariel Uliana Jr,  participam do festival O Começo do Fim do Mundo, no SESC Pompéia, em São Paulo, que foi registrado ao vivo e lançado em disco no ano seguinte em forma de coletânea.

Em 1983 eles chegam ao Rio de Janeiro tocando no Circo Voador com sete bandas punk paulistas e mais Paralamas do Sucesso e Coquetel Molotov, do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, entram em estúdio para gravar seu primeiro LP, Miséria e Fome; porém todas as treze músicas compostas que entrariam no disco foram censuradas, forçando a banda a alterar as letras de três delas, que foram registradas no compacto Miséria e Fome.  No fim deste ano, já como um trio com Clemente nos vocais, a banda acaba em pleno palco do Napalm (casa noturna precursora do Madame Satã).

O Inocentes voltou em 1984 com uma nova formação, Antônio “Tonhão” Parlato na bateria, André Parlato no baixo, Ronaldo dos Passos na guitarra e Clemente nos vocais e guitarra. E também com uma nova proposta, um som mais próximo do pós-punk e o objetivo de tocar além das fronteiras do movimento punk, fazendo parte parte do chamado rock paulista com bandas como Patife Band, Ira!, As Mercenárias, Voluntários da Pátria, Smack, 365, entre outras.

Nesse mesmo ano, Grito Suburbano é lançado na Alemanha com o nome de Volks Grito, pelo selo Vinyl Boogie, e a banda é incluída na coletânea Life is Joke, que contou com bandas punk do mundo inteiro, lançada pelo selo Weird System também da Alemanha.

Em 1986 Inocentes torna-se a primeira banda punk brasileira a gravar por uma multinacional. Panico SP é  bem recebido pela mídia e a banda excursiona por todo o Brasil pela primeira vez.  Logo são taxados de vendidos e”traidores do movimento, apesar de grandes nomes do punk como Sex Pistols e Clash também tinha contrato com gravadoras.  Após dois discos eles perdem o contrato com a Warner.

No início dos anos 90 eles estavam sem gravadora, com poucos shows e pouco dinheiro. A banda tomava rumos cada vez mais distantes do punk rock que a consagrou. Em 1991, uma demo com a música “O Homem Negro” chegou à rádio 89FM e tocou sem parar. A música, uma mistura entre punk rock, rap e rock, conquistou novos fãs e abriu novos horizontes, e em 1992, lançam Estilhaços, um álbum quase acústico pelo selo Cameratti. Pela primeira vez a banda freqüenta o circuito de shows da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo, fazendo vários shows gratuitos em casas de cultura pela periferia da cidade. A faixa “Faminto” toca nas rádios rock e a banda volta a excursionar.

Em 1994 O Inocentes faz o show de abertura da apresentação que os Ramones fizeram no Olímpia, em São Paulo. Os shows tiveram uma grande repercussão e, quando a banda se preparava para gravar seu novo álbum, saem César Romaro e Calegari. Ronaldo convoca Nonô, baterista do Full Range, e Clemente chama um velho amigo para assumir o baixo, Anselmo Guarde (ex-vocalista do SP Caos e ex-baixista do Viúva Velvet e do Fogo Cruzado). Com essa formação, no final de 1995, a banda entra em estúdio mais 2 albuns.

Atualmente a banda a mesma formação de 1995 tendo Anselmo Monstro no baixo, Nonô na bateria, Ronaldo Passos na guitarra e Clemente na guitarra e na voz.