Recebemos recentemente o contato de um novo mestre cervejeiro carioca chamado Rafael, um dos donos da Cervejaria Oceânica.

A cervejaria Oceânica é composta por dois engenheiros químicos e um microempresário que resolveram mergulhar nas águas do mundo cervejeiro.

Fomos presenteados com criações de dois novos estilos, e variações diversas, resultando em estilos ainda mais únicos. Um deles, o India Black Ale (muitas vezes chamado Black IPA), um tipo de India Pale Ale com maltes mais torreifados e maior presença de torrado, mas sem deixar de lado a pancada de lúpulo. Já o outro estilo, uma Belgian IPA, versão de IPA com base belga, exemplos: Belgian Strong Golden Ale, Tripel, entre outras. Duas criações que necessitam de coragem para desenvolvimento e muita criatividade. Abaixo, nossas impressões:

India Black Ale (com levedura Americabn Blend)

Aparência: Coloração preta opaca, com formação média de espuma castanha e persistência média. Muito bonita no copo.

Aroma: Malte torrado bem forte e café. Sente-se muito o lúpulo quando a espuma abaixa, e agrada bastante.

Sabor: No início, bastante malte torrado e amargor do malte ao engolir. O torrado sobrepõe-se ao amargor do lúpulo, que aparece como coadjuvante no sabor. Final longo e torrado também, com leve presença de lúpulo no aftertaste. Bem equilibrada e potente, com álcool perfeitamente inserido. Apesar do torrado dominar o sabor, não é enjoativo nem desagradável. Belo balanço da cerveja.

Tato: Corpo baixo para médio para o estilo, carbonatação na medida. Cremosidade média, adstringência de média para alta.

Geral: Uma bela cerveja, mas para atender melhor o estilo poderia ter maior presença de lúpulo no sabor. Outra opção é migrar a cerveja para uma Russsian Imperial Stout, dando maior corpo e potência alcoólica, até porque a presença de lúpulo e torrados lembrou mais uma RIS. No geral, bela criação, prezando pelo equilíbrio e balanço. Drinkability ótima.

Nota Geral: 3,6 de 5,0

Para harmonizar com essa breja, fizemos um sanduba muito saboroso, com pão ciabatta, filé de alcatra, queijo brie, rúcula e tomate seco, regados com molho de mostarda e mel. As notas de torrado combinaram perfeitamente com a carne, e a combinação ficou muito boa.

 

Belgian IPA (com levedura Abbey)

Aparência: Coloração âmbar turva, com média formação de espuma cremosa de alta persistência.

Aroma: Frutas cítricas (mais especificamente casca de laranja e abacaxi), notas de fermento típicos das belgas. Notas de mel silvestre. Lúpulo médio, com notas florais. Aroma muito agradável.

Sabor: Sabor doce, lembrando uma Tripel. Presença leve de lúpulo, mais sentida no final, que é longo e doce. Aftertaste traz também o dulçor, permanecendo um belo sabor na boca. Notas alcóolicas bem inseridas, balanço e equilíbrio perfeitos. Uma delícia de cerveja, mas poderia ter maior presença de lúpulo.

Tato: Corpo e carbonatação médios, com adstringência leve e cremosidade média.

Geral: Ótima cerveja, mas assim como a IBA, precisa de maior presença de lúpulo para atender melhor ao estilo. A base de Tripel está sensacional e, se a ideia é mantê-la como está, pode ser uma ótima pedida. Drinkability excelente, apesar da força. Outra bela criação.

Nota Geral: 3,8 de 5,0

Harmonizamos a breja com um escondidinho de camarão, feito em duas versões, com purê de batata e de mandioquinha. Outra bela combinação, com um contraste entre o dulçor da cerveja e os temperos “baianos” do camarão.

Uma salva de palmas para nossos amigos da Oceânica, outra bela cervejaria artesanal que tem a coragem de ousar e criar belos exemplares. Aos que se interessarem deem uma olhada no site http://cervejaartesanaloceanica.wordpress.com/, onde além de divulgarem suas criações, sempre publicam textos muito interessantes sobre assuntos relacionados à cerveja.

Cheers!