Cerveja Feminina – Feminazi Stole my beer – Por Fernanda Fregonesi

Desde que me convidaram para escrever uma coluna sobre mulher e cerveja eu venho pensando no que eu poderia escrever que de fato já não tenha sido escrito.

Escrever sobre como o paladar feminino não é exatamente como as pessoas pensam, como nós mulheres não vivemos só de Weiss e fruit beer? Bom, acho que já fizeram isso. (e se vocês não viram nada sobre isso, dêem uma olhadinha na campanha fantástica que a Perro libre fez para o dia das mulheres esse ano, dica de miga mesmo ;)!)

Escrever sobre as mulheres incríveis que temos no meio cervejeiro? Sobre o quanto eu admiro de carteirinha a Cilene Saorin pelo pioneirismo feminino no meio cervejeiro, a dupla Kathia Zanatta & Kátia Jorge por sempre levarem o conhecimento a todos, a Gabriela Montandon por abrir portas para o intercâmbio no meio da ciência com outros países ou falar das mulheres de fibra que temos nas cervejarias, como a Maíra Kimura (2 cabeças), Fernanda Ueno (Colorado) e Lívia Fernandes (Tormenta).

Quem sabe uma matéria sobre as meninas que estudaram muito e hoje em dia são referências nacionais como a Sommelière Bia Amorim e a Carolina Oda, sem falar nas mineiras que sou fã de carteirinha: Fabiana Arreguy que toca o nacionalmente conhecido pão e cerveja e a melhor amiga que a cerveja poderia ter me dado Jaqueline Oliveira que até mês passado estava super corrida com os eventos da CONFECE (a primeira confraria cervejeira do Brasil!).

Tudo isso me pareceu muito batido. Todo mundo já sabe o quanto de mulher foda (com o perdão do adjetivo, mas elas são foda mesmo) a gente tem nesse meio, todo mundo sabe (ou deveria, né?) que mulher não curte só cerveja “docinha”, todo mundo sabe que tem mulher por aí que manja muito mais de cerveja do que homem.

Mas eu não vou desperdiçar seu precioso tempo lendo coisa igual. Então como a coluna é minha (to vendo o Kadu fazer um super facepalm e se arrepender de ter me convidado pra escrever) eu vou escrever sobre uma coisa que me incomoda muito, o termo mais novo no dicionário cervejeiro: Feminazi.

Quando eu leio isso, não sei se imagino logo uma pepeka com um bigodinho de Hitler, ou se me imagino dentro de um tanque na divisão panzer da cerveja artesanal esmagando campos de cevada e usando aquele desodorante Old Spice (que tem cheiro de cabra macho!).

O que me incomoda é que eu já fui inúmeras vezes agarrada a força em eventos cervejeiros (inclusive quase quebrei uma cadeira em um cara quando ele se negou a soltar meu braço), já ouvi milhões de vezes “ok, mas chama aquele moço lá pra me atender” (migos, juro que não sou anencéfala) ou fui referida como “a mulher de / a ex mulher de”, ter um projeto paralelo com cerveja não significava nada. E eu acho muito ruim levar um adjetivo que liga uma busca por igualdade com um genocídio épico como o Nazismo.

E isso, coleguinhos e coleguinhas, tem que mudar. Viram a lista ali em cima? Pois ela representa apenas uma faixa da quantidade louca que temos de mulheres INCRÍVEIS dentro do meio cervejeiro, que têm que ouvir quantidades megazórdicas de cantadinhas xucras, de ser tratada como adjunto de seus cônjuges e que quando tem fotos divulgadas como palestrantes em eventos correm os olhos pelos comentários e rola aquela torcidinha de nariz ao ler um possível “vou fazer porque é gata” (é sério, eu já vi isso).

Para finalizar tudo isso, e não estender muito o julgamento de vocês sobre meu feminazismo (porque claramente enquanto eu escrevia isso eu matei muitas pessoas, tive até que parar aqui pra tirar o quepe um pouco pra não amassar meu cabelo fabuloso), vou deixar vocês com o seguinte pensamento:

Feminismo

  1. Doutrina cujos preceitos indicam e defendem a igualdade de direitos entre mulheres e homens.
  2. Movimento que combate a desigualdade de direitos entre mulheres e homens.
  3. Ideologia que defende a igualdade, em todos os aspectos (social, político, econômico), entre homens e mulheres.

Nazismo

na.zis.mo
sm (nazi+ismo) Partido e doutrina do movimento nacional-socialista alemão chefiado por Hitler.

Nazista
1-Relativo ao nazismo (o) adj e s. cdd (o/a)
2. Que ou pessoa que é simpatizante do nazismo.

Do the math.

Fernanda Fregonesi

Fernanda-fregonesi-mulher-cerveja

Virginiana com lua em Gêmeos e ascendente em Sagitário.

Amante de coelhos, Sartre, Pumpkin Ales e Barley Wines.
Trabalha forte nas horas/copo desde 2012, quando conseguiu colocar as patas no primeiro copo de cerveja artesanal.
Biomédica habilitada para Microbiologia, Especializada em Microbiologia de Processos cervejeiros pelo Siebel Institute e Mestranda em Biotecnologia Industrial pela Universidade Positivo.
Atualmente tenta conquistar 3 continentes como Evil Mind pelo Yeast Facts, ensinando homebrewers e dando consultorias para cervejarias.
Gasta os dias bebendo, tirando fotos de gatos e cultivando o humor negro nas redes sociais.

 

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Comments

  • Andrea 10 de abril de 2015 at 17:15

    alguém percebeu que o texto tem 6 parágrafos de justificativa e explicação sobre o que seria o tema do artigo e apenas 4 sobre o tema do artigo? (que não tem nada a ver com cerveja??)

    • Anônimo 26 de outubro de 2015 at 21:48

      Me criou uma enorme expectativa para no final ser uma coisa chata pra caramba.

  • ROSE LOPES 16 de abril de 2015 at 21:02

    Fernanda! Comentários e opiniões surgiram os mais diversos possíveis, alguns vão classificar sua coluna conforme o tema discutido como ótimo, muito bom, bom, ruim e péssimo, Nós aqui em casa achamos ótimo, estamos muito orgulhosos de você, continue sendo você sempre esta pequena grande mulher que estou tendo o prazer de conhecer um pouquinho.
    Beijos!!!!

  • nelio da Silva brito 17 de abril de 2015 at 0:04

    Adorei, no começo parece uma lambança, mas depois vc da rumo certo para o assunto.