Profissões Cervejeiras – Profissional de Montagem e Manutenção de Sistema de Chopp

Chopp! Sim, e se tratando de algo tão sério, qualidade nunca é demais! Tenho certeza que você também concorda. Saber tirar o chopp é importante, mas nem o melhor profissional do universo conseguirá tirar/servir uma boa cerveja se o sistema não for adequado, se não praticar manutenção periódica e seguir  procedimentos corretos de manuseio. Por isso falarei neste artigo sobre o profissional responsável pela montagem e manutenção do sistema de chopp das casas cervejeiras.

Em nosso país, o sistema de chopp sempre foi considerado um detalhe. Sim, não se assuste, eu falei um “detalhe” mesmo! Durante muitas décadas o mercado foi dominado por grandes empresas que na “batalha” comercial ofereciam a infra-estrutura (em troca de exclusividade e/ou um volume mínimo de consumo) para que os estabelecimentos (bares e restaurantes) pudessem vender seus produtos. E obviamente que por uma questão econômica, estas empresas oferecem soluções de sistema de chopp que for de menor investimento possível. Neste raciocínio, o sistema de chopp passava a ser um detalhe ao proprietário do estabelecimento, deixando este “detalhe” para o parceiro comercial resolver.

manutenção de chopp

Atualmente com amadurecimento do consumo de cervejas artesanais, no qual a variedade e qualidade são pontos-chave, os estabelecimentos começaram a perceber a importância do sistema adequado de chopp e detalhes como a temperatura correta de serviço, pressão do gás adequada para cada tipo de cerveja e uma ótima armazenagem. Ok. E daí vem a seguinte pergunta… quem faz este serviço? Quem é o profissional de manutenção de chopp? Antes tudo era delegado aos grandes fornecedores. E agora? Sim o mercado é muito carente deste tipo de profissional. Eu entrevistei dois profissionais na área que gentilmente nos concederam valiosas informações. Continue lendo abaixo.

Profissional de Montagem e Manutenção de Chopp – Entrevistas

Conversei com o Fabiano Carminhola, sócio da Bierturm, que trabalha com refrigeração há 25 anos e mais especificamente com equipamentos para chope há 20 anos. Ele é responsável por diversos projetos como o da Cervejaria Nacional, Empório Alto dos Pinheiros, Café Dellirium São Paulo, Bar Karavelle Amauri, Les 3 Brasseurs, Grainne’s Campinas, BeerDoc Recife, Chopeira São Paulo, entre muitos outros.

Denny: Sabemos que qualquer um que trabalhe com um sistema que envolve cilindros de gás precisa de treinamento técnico. Qual a formação necessária para trabalhar na área?

Fabiano Carminhola: Na realidade não existe um treinamento técnico especifico para manuseio de cilindros de gás, o que existe é troca de informação e orientação sobre isso, como devem ser manuseados, instalados e operados. A pessoa que irá opera-los, tem que ter ciência que um cilindro é um vaso de pressão, tem que ser manuseado com cuidado, não pode ficar enclausurado, evitar influencia de calor e insolação, quando for fazer uso, sempre com ferramentas adequadas e principalmente ligado a um controlador de pressão. Ao armazena-lo ou transporta-lo sempre com o capacete de proteção sobre o registro.

Denny: Quais os maiores desafios técnicos? Seria limitação ao acesso de equipamentos e peças disponíveis no país? Seriam os valores?

Fabiano Carminhola: Grande parte dos acessórios e peças são importados, apesar de existirem muitas empresas que importam portanto ter boa oferta, o custo em si é alto. Outra dificuldade seriam as instalações em bares, normalmente quando o chope não é o foco, não é projetado um espaço especifico e adequado na área do bar, nestes casos, somos obrigado a fazer adequações que nem sempre são funcionais.

Denny: Quais os maiores desafios humanos (mão-de-obra)?

Fabiano Carminhola: Desafios humanos, ai é complicado, existe uma grande dificuldade em se encontrar profissionais qualificados, normalmente você é obrigado a contratar pessoa sem qualificação nenhuma e treina-lo, mas infelizmente esta pessoa acha que ja adquiriu todo o conhecimento e em 06 meses que trabalha com você já acha que pode trabalhar de forma informal e autônoma no mercado como seu concorrente. As vezes esta pessoa vê a cobrança de alguma quantia por um serviço e acha que a margem de lucro é grande mas esquece de todas as tributações e gastos fixos que uma empresa tem, esquece de uma carga tributaria imensa que sufoca o comercio, esquece que se o material está disponível para ser usado, ele foi comprado, existem salários, benefícios, aluguel, contas de consumo, e ai vai. A nível de conhecimento, humildemente confesso que estou aprendendo até hoje, e ainda tenho muito a aprender, cada atendimento, cada cliente, cada novo projeto, sempre tem um desafio, uma novidade, uma dificuldade que servem somente para ampliar nossos conhecimentos. Tem ainda o problema que este funcionário as vezes é assediado por um cliente que o induz a “lesar” a empresa por um serviço ou material mais barato, usando peças, estrutura e tempo da empresa somente para ter a vantagem de um custo baixo e beneficio próprio.

Conversei também com o Fernando Pacheco, que é Técnico em sistemas de chope, também conhecido como Draft tech, formado pela Siebel Institute of Technology.

Denny: Sabemos que você fez o Master Draught do Siebel Institute of Technology nos Estados Unidos. Quanto tempo durou o curso? O que tem de melhor no curso?

Fernando Pacheco: O curso teve 24 horas de carga horária e passou por todos os aspectos teóricos e práticos para montagem de sistemas de chope, manutenção e sanitização, assim como serviço de chope. O curso foi sediado na fábrica da Coors, em Golden, no Colorado e ministrado pelo veterano Martin Schuster, um dos especialistas em sistemas de chope mais conhecidos dos EUA.

Denny: Existem diferenças nos sistemas de chopp dos americanos em relação ao do Brasil. O que poderíamos aprender com eles?

Fernando Pacheco: Nos EUA chopeiras elétricas ou a gelo são usadas apenas em eventos. Lá, em qualquer bar, os barris de chope são mantidos resfriados a temperatura de serviço.

Denny: Você acredita que é possível adotar o sistema americano no Brasil?

Fernando Pacheco: Sem dúvida, é uma diferença apenas cultural.

Denny: O que você recomenda para quem gostaria de trabalhar (no Brasil) com sistemas de chopp?

Fernando Pacheco: No que se refere a chope, a cultura cervejeira no Brasil ainda é baseada em lendas. Falta muito preparo técnico, então minha dica é estudar!

Para contratar os entrevistados:

Bierturm_choppFabiano Carminhola: www.bierturm.com.br, bierturm@bierturm.com.br, tel. (11)5068.0586 e 2158.0586

master_tap-fernando_pacheco

Fernando Pacheco: mastertap@gmail.com

Denny Ueda

Denny Ueda é sócio-diretor da PlanBeer (www.planbeer.com.br), Beer Sommelier, Mestre em Estilos entre outras.

Possui vasta experiência cervejeira porque participou em muitos projetos diferentes, desde de estratégia de negócios, passando por educação cervejeira, inteligência de marketing, comercial, até criação de produto e conceitos.

Possui vasta experiência porque é apaixonado pelo que faz e atendeu diversas cervejarias, importadoras, distribuidoras e mais de 100 bares, restaurantes e lojas especializadas.

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