Existem hoje milhares de cervejarias espalhadas pelo mundo, muitas delas com centenas de anos e outras recém-abertas. Fato é que não poderíamos deixar de abrir espaço para falar delas aqui no blog, até porque quem faz a cerveja que nós tanto amamos é a cervejaria. E nada melhor para estrearmos essa categoria falando da minha cervejaria favorita (é, nós cervejeiros temos essas coisas…rs), a escocesa Brewdog. A cervejaria foi fundada em 2007, pelos cervejeiros (loucos e revolucionários, diga-se de passagem) James Watt e Martin Dickie. A ideia de iniciar a cervejaria veio da insatisfação em relação ao mercado cervejeiro britânico, dominado pelas cervejas da massa. A melhor forma que eles encontraram para combater isso é criando sua própria cervejaria, onde poderiam fazer cerveja de um jeito mais “punk”. Não vou me ater muito a história deles, apesar de ser muito interessante por vários aspectos, mas vou falar mais sobre as cervejas completamente insanas que esses caras criaram. As mais populares são facilmente encontradas na maioria dos empórios e casas especializadas, e são sempre muito criativas, balanceadas e, na maioria das vezes, com uma bela dose de lúpulo. A linha base deles é composta pela Punk IPA (uma american índia pale ale), Trashy Blonde (uma Golden ale que recentemente mudou sua formula, adicionando frutas vermelhas na maturação), 77 Lager (uma pilsen tradicional), 5 am saint (uma amber ale bem lupulada) e a minha favorita, a Hardcore IPA (uma double IPA com índice de amargor de 150 IBUs). Outras cervejas sazonais compõem o cartel da Brewdog, como a linha das Paradox (imperial stout maturadas em barris de whisky), as Abstract (cervejas experimentais de única brasagem, tendo em média 5 mil garrafas produzidas), as natalinas Christmas Porter (cerveja escura com adição de cacau e chili peppers) e There is no Santa (cerveja com gengibre) e as parcerias com as cervejarias Three Floyds (Buy Bitch Please), Stone (Basha) e Mikkeler (I Hardcore You). Fora outras criações que não acabam e as vezes nem chegam ao nosso país (e quando chegam, são o olho da cara). Mas não são só essas cervejas que fizeram a Brewdog ter o reconhecimento de estar em um seleto grupo das maiores cervejarias do mundo. Algumas loucuras que eles fizeram ao longo dos anos sempre os fizeram figuras no hall das notícias bizarras do mundo cervejeiro.

Tactical Nuclear Penguin

A cerveja foi elaborada na época com o objetivo de ser a cerveja mais forte e alcóolica do mundo. O processo produtivo foi longo e trabalhoso. Primeiro, foi produzida uma Russian Imperial Stout e armazenadas em barris por 15 meses para uma dupla maturação. Depois desse processo, a cerveja foi levada a uma fábrica de sorvetes, e congelada a 20 graus negativos (na temperatura dos pinguins). A parte que permanecia em estado líquido era drenada, e como o álcool congela a uma temperatura menor que os demais elementos da cerveja, em 3 semanas ela atingiu 32% de graduação alcóolica. Todo o processo e resultado pode ser conferidos no vídeo abaixo:

Sink The Bismarck

Pouco tempo depois do lançar a cerveja mais alcóolica do mundo, a Brewdog foi superada pela cervejaria alemã Schorschbräu, que criou Schorschbock, que tinha absurdos 40% de graduação alcoólica. A Brewdog, não satisfeita com o segundo lugar, criou então a Sink The Bismarck (algo como “Afunde o Bismarck”, nome de um navio alemão da 2º guerra mundial que afundou), uma clara provocação à cervejaria alemã. A cerveja é uma IPA quadrupla, com 4 vezes mais lúpulo e amargor, e sendo congelada e drenada 4 vezes mais que a Tactical Nuclear Pinguim, chegando a graduação alcoólica de 41% e um índice de amargor de 200 IBUs. A experiência de bebê-la custou no Brasil algo em torno de R$600 pela garrafa de 330ml. Um vídeo, bem engraçado e provocativo à Schorschbräu, foi feito pelo pessoal da Brewdog. O link está logo abaixo:

The End of the History

A Schorschbräu continuou alimentando a disputa com a Brewdog, e pouco depois do lançamento da Sink the Bismarck, anunciou que alterou a produção de sua bock aumentando a graduação alcoólica de sua cerveja para 43%, ultrapassando novamente a Brewdog. Meses depois, a Brewdog anunciou o lançamento da cerveja The End of the History (traduzindo, O fim da história, um ponto final na disputa com a Schorschbräu), uma cerveja com absurdos 55% de graduação alcoólica. Mas não foi só a cerveja que chamou a atenção. Primeiro, sua tiragem foi de apenas 12 exemplares a um preço de R$1.300 por garrafa, preço compatível com sua excentricidade e raridade. Entretanto, o que mais chamou a atenção foi a “embalagem” da cerveja, que são esquilos e arminhos empalhados (“mortos por causas naturais” segundo os cervejeiros) e “recheados” com as garrafas. Abaixo, outro vídeo dos malucos da Brewdog, falando um pouco sobre a The End of the History.

Royal Virility Performance

Essa cerveja, um blend entre a Punk e a Hardcore IPA, foi criada em homenagem ao casamento do Príncipe William com a condessa Kate Middleton. A polêmica ficou por conta da fórmula da cerveja, que recebeu alguns itens “afrodisíacos”, entre eles o viagra.

Sunk Punk

Essa cerveja tem como diferencial seu método de fermentação. Simplesmente, a cerveja é fermentada debaixo d’agua, com tanques especiais feitos para resistir à pressão e garantir que a água salgada não interfira na cerveja. Além disso, alguns “itens marítimos” foram adicionados à fórmula, como sal destilado, rum, e sereia (hã?). A ideia vem de uma antiga lenda escocesa, que dizia que em dias de tormenta deve-se jogar uma garrafa de bebida no oceano para que venha a calmaria. Bom, com os tanques no fundo do mar escocês, acho que eles ficarão calmos por um bom tempo… Depois de tudo isso, você vai discordar que essa cervejaria é para os dedicados?

Luan Ferre (sócio e autor do Brejada) e o grande James Watt.