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Debates no 4º Salão Rio de Interiores renovam cidades

27 de agosto de 2026 · Kadu Mendes · 9 mins de leitura

Salão Rio de Interiores abriu o segundo dia de sua quarta edição colocando em pauta a urgente necessidade de regenerar a cidade sob uma visão integrada e contemporânea. Guiado pelo tema central da edição de 2026, ‘Interiores Regenerativos: do Habitar ao Pertencer’, o encontro estruturou suas discussões a partir de três escalas fundamentais: o indivíduo, a cidade e o planeta. Essa abordagem estratégica propôs ao público participante uma jornada reflexiva que expande de maneira progressiva o papel tradicional atribuído à arquitetura. Longe de limitar a disciplina a meros aspectos estéticos ou funcionais de ambientes fechados, as reflexões apresentadas demonstraram que o espaço urbano construído nada mais é do que a projeção direta das dinâmicas e interações estabelecidas entre os seres humanos, a arquitetura e o próprio território que habitam diariamente.

Salão Rio de Interiores - foto
Salão Rio de Interiores – foto

Compreender a metrópole como um organismo vivo exige analisar com atenção a habitação, a educação, as paisagens urbanas e as políticas públicas que moldam a convivência social. Redesenhar os espaços edificados carrega o potencial transformador de fortalecer laços comunitários, abrandar disparidades socioeconômicas e criar formas renovadas de pertencimento. Ao longo de uma intensa programação de debates, profissionais de destaque, pesquisadores, docentes e acadêmicos compartilharam conhecimentos valiosos sobre como as intervenções na escala do habitar privado repercutem de maneira decisiva no bem-estar coletivo. Dessa forma, o ecossistema urbano passa a ser compreendido não apenas como uma infraestrutura física de concreto e asfalto, mas como um ambiente vibrante de convivência social e cultural, onde o design e a arquitetura desempenham papéis sociais imprescindíveis para as gerações presentes e futuras.

Salão Rio de Interiores - foto
Salão Rio de Interiores – foto

A formação acadêmica no Salão Rio de Interiores

A programação matutina começou dando voz ao meio acadêmico na mesa intitulada ‘Formação para o Futuro: Ensinar Arquitetura para um Mundo em Transformação’. Conduzido pela mediadora Sônia Lopes, o painel reuniu nomes exponenciais do ensino de arquitetura e urbanismo para analisar minuciosamente como as instituições de ensino superior estão remodelando suas matrizes curriculares. O objetivo central é preparar os futuros profissionais para lidarem com as complexas exigências da sociedade atual, destacando a arquitetura de interiores não como um apêndice decorativo, mas como um pilar essencial e indispensável no processo de formação acadêmica dos projetistas.

A professora, arquiteta e urbanista Tanya Collado ressaltou as profundas guinadas vivenciadas no ensino universitário ao longo da última década. De acordo com a docente, as rápidas mudanças socioambientais e tecnológicas exigem metodologias pedagógicas totalmente renovadas e adaptáveis. Complementando essa visão, o arquiteto e urbanista João Calafate, acumulando quase trinta anos de atuação no ensino superior, argumentou que se tornou absolutamente inviável dissociar o projeto de interiores do projeto arquitetônico exterior. Para o docente, ambos compõem um campo estratégico e unificado de atuação profissional e investigação acadêmica, diretamente conectado às novas demandas do habitar contemporâneo. Calafate sublinhou também a responsabilidade do corpo docente em provocar o pensamento crítico dos alunos para a construção desse repertório contínuo.

Expandindo as fronteiras do debate, a doutora e professora Flávia de Faria compartilhou seus aprendizados práticos à frente da UPF – Universidade da Polinésia Francesa, contextualizando os desafios e as dores de projetar para realidades culturais e geográficas completamente distintas. Contrapondo a visão dos docentes, a estudante Daniela Valdez Pedrazzoli, que realizou uma transição de carreira da área de Tecnologia da Informação para a arquitetura, trouxe o olhar de quem vivencia diariamente a sala de aula. Sua perspectiva oxigenou a discussão ao evidenciar como a busca por novos significados profissionais transforma a percepção dos estudantes diante das responsabilidades sociais da profissão.

Salão Rio de Interiores - foto
Salão Rio de Interiores – foto

Políticas públicas e habitacionais no Salão Rio de Interiores

No período da tarde, o auditório completamente lotado acompanhou com entusiasmo o painel ‘Habitar Também é Política Pública’. Sob a mediação de Romulo Baratto, a discussão colocou no centro dos holofotes iniciativas bem-sucedidas em habitação de interesse social, regeneração urbana e desenvolvimento comunitário. O debate comprovou com dados e exemplos práticos como a integração entre arquitetura, design de interiores e políticas públicas governamentais possui a capacidade de transformar territórios vulneráveis, democratizar o acesso à dignidade espacial e elevar a qualidade de vida de populações historicamente marginalizadas pelo planejamento urbano tradicional.

Um dos momentos mais tocantes do evento foi protagonizado pela arquiteta e pesquisadora Ester Carro. A profissional compartilhou sua trajetória pessoal e a vivência em comunidades vulneráveis, fatores que a impulsionaram a fundar o Instituto Fazendinhando. A instituição atua no desenvolvimento de projetos voltados à regeneração territorial, capacitação técnica profissional e melhoria habitacional. Ao contextualizar os alarmantes índices de brasileiros residindo em moradias inadequadas e sem saneamento básico elementar, Ester destacou que qualquer intervenção física em áreas periféricas precisa ser precedida por um processo cuidadoso de construção de confiança com os moradores locais, estabelecendo vínculos genuínos antes de se desenhar qualquer espaço.

Dando sequência às soluções voltadas à habitação popular, a designer de interiores e pesquisadora Cláudia Ferrari apresentou o projeto ‘Da Porta Pra Dentro’. A iniciativa nasceu para enfrentar os desafios de adaptação vividos por famílias contempladas pelo Programa Minha Casa Minha Vida. Ferrari explicou que as moradias populares padronizadas costumam compactar os espaços, sem considerar as diferentes configurações e necessidades familiares cotidianas. Por meio do trabalho conjunto entre designers de interiores e assistentes sociais, o projeto busca otimizar ambientes reduzidos para o convívio, trabalho e estudo, promovendo conforto, funcionalidade, bem-estar e sentimento de pertencimento para milhares de beneficiários.

A regeneração da paisagem urbana no Salão Rio de Interiores

Encerrando a jornada do segundo dia, o painel ‘Arquitetura, Paisagem e Regeneração Territorial’ foi mediado por Fernando Mungioli e contou com as intervenções da arquiteta e urbanista Paula Otto e da paisagista e pesquisadora Gabriella Ornaghi. As palestrantes apresentaram projetos inovadores que articulam rigor acadêmico, tecnologia sustentável e compromisso ambiental na recuperação de ecossistemas urbanos degradados. O foco central esteve na utilização estratégica de espécies vegetais nativas e na valorização da biodiversidade como ferramentas indispensáveis para restaurar o equilíbrio ecológico das grandes cidades.

As especialistas ressaltaram que regenerar o tecido urbano exige compreender que a arquitetura construída e a paisagem natural pertencem a um único ecossistema interdependente. O painel demonstrou como a fusão entre projeto arquitetônico, planejamento urbano consciente e restauração ambiental pode criar territórios muito mais resilientes, biodiversos e preparados para enfrentar as rigorosas mudanças climáticas do século XXI. Exemplos práticos evidenciaram que a paisagem não deve ser tratada como mero elemento ornamental, mas sim como infraestrutura verde ativa e regenerativa.

Para conferir com detalhes os registros visuais desse encontro marcante, os interessados podem consultar a galeria de fotos oficial do evento. O material fotográfico captura a atmosfera vibrante das palestras, a participação ostensiva do público e as trocas de conhecimento entre os profissionais que estão liderando a transformação do mercado de arquitetura e design no Brasil.

A transformação do habitar no Salão Rio de Interiores

As discussões promovidas ao longo do evento deixaram claro que o conceito de habitar ultrapassa os limites físicos das paredes residenciais. Ao conectar o indivíduo, a comunidade e o ecossistema global, a arquitetura de interiores assume uma posição estratégica na construção de cidades mais justas, inclusivas e acolhedoras. A busca por soluções regenerativas reflete um desejo coletivo de reconexão com o espaço construído, priorizando a saúde mental, o bem-estar social, a sustentabilidade dos materiais e a valorização das identidades culturais locais.

Esse novo paradigma arquitetônico conversa diretamente com o estilo de vida contemporâneo, no qual o morar, o trabalhar e o lazer se entrelaçam continuamente. Espaços bem projetados influenciam diretamente as escolhas diárias, o consumo consciente, os momentos de descompressão e as interações interpessoais. Eventos dessa magnitude reforçam a urgência de democratizar o acesso ao bom design, mostrando que soluções inteligentes e humanizadas devem estar ao alcance de todas as camadas da sociedade, independentemente da faixa de renda ou da localização geográfica.

O portal Brejada segue acompanhando de perto os principais lançamentos, tendências de lifestyle, eventos culturais e discussões urbanas que impactam o nosso jeito de viver e ocupar os espaços. A cobertura contínua dessas iniciativas reforça nosso compromisso de trazer aos leitores informações qualificadas, promovendo uma reflexão profunda sobre como a arquitetura, o design e o comportamento social moldam o futuro das nossas cidades.

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