Profissões Cervejeiras – Por Denny Ueda – Professor de cervejas

Todos somos educadores de cerveja! Sim, somos! Você pode até estranhar esta frase, mas é verdadeira, realmente todos nós, consumidores de cervejas, somos em algum grau, educadores sobre o assunto. Mas, não quer dizer que todos ensinam coisas totalmente corretas. Quer prova disso? Quem nunca ouviu pessoas na mesa do bar difundindo algum mito que até a poucos anos atrás a maioria de nós, leitores, ainda achava verdadeiro?

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Nos últimos anos o cenário cervejeiro está mudando e isso graças a proliferação de consumidores mais exigentes, oferta maior de rótulos e estilos, profissionais da área mais capacitados e cursos para se profissionalizar.

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Quando falamos especificamente das “cervejas artesanais” ou “cervejas especiais”, ou qualquer que seja a nomenclatura, estamos nos referindo quase que necessariamente de cervejas com custo maior de produção e obviamente, com um valor final mais alto que as cervejas ditas de massa ou mainstream. Portanto uma das bases do crescimento do mercado de cervejas especiais, é a questão da educação cervejeira. A idéia é simples, o produto pode ter qualidade, ser diferente, e com sabores e aromas excepcionais, mas sem o mínimo de comunicação ou curiosidade do consumidores finais, não haverá venda.

Segue algumas dicas básicas para quem quer se ensinar ou produzir algum material educativo (cervejeiro). Peço desculpas se algumas são muito básicas, mas acredito que não seja só eu que vejo materiais/textos/vídeos, que com um pouquinho mais, ficariam ótimos:

Educador Cervejeiro

TENHA COMEÇO, MEIO E FIM.SEJA INTERESSANTE, USE TODOS OS RECURSOS POSSÍVEISPARTICIPAÇÃO DAS PESSOAS É FUNDAMENTALENSINAR É APRENDERASSOCIAÇÃO E REPETIÇÃONEM TODO MUNDO VAI SE INTERESSARPÓS-AULA
  • Não basta amar o que faz, se você quer passar alguma mensagem, tenha o mínimo de estrutura na mensagem, caso contrário, você pode confundir mais do que ensinar.
  • A introdução (começo) de qualquer assunto (do produto, do estilo, do cenário…) é fundamental. Evite a sensação de “caí de paraquedas” do seu leitor/aluno/convidado/espectador.
  • Desenvolva a sua idéia ou história. Nunca esqueça que entre as partes (começo, meio e fim) é necessário alguma conexão.
  • Conclusão (fim), você começou a falar algo para defender alguma idéia, este é momento de deixar muito claro o que você quer ensinar/demonstrar.
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    • Até o assunto mais acadêmico pode ser interessante. Para isso, use e abuse dos recursos. E não importa se forem recursos de alta tecnologia ou não, o importante é complementar de maneira que o ensinamento seja fixado na memória do seu “aluno”.
    • Uma apresentação narrada é ótima, mas pode ser enriquecida por imagens, vídeos, animações e até amostras. Lembre-se que itens para se ver, pegar, manipular, cheirar vai enriquecer ainda mais.
    • A vivência de determinada situação, talvez este seja o ideal (sonho) do melhor do uso de “recursos”. Nada como aprender in loco.
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    • Este é um ótimo termômetro para sentir o sucesso ou não de seu ensinamento. Mas lembre-se que nem todos gostam de falar na frente das outras pessoas. Em apresentações ou workshops as atividades em grupo são sempre bem-vindas. Em roda de amigos, é importante ouvir a opinião dos outros.
Ensinar é aprender em dois sentidos:

  • Para preparar qualquer material, você necessariamente precisa ter pesquisado/estudado sobre o assunto, então consequentemente irá sempre aprender algo novo.
  • Ao ministrar uma aula, por exemplo, é comum ter a oportunidade de ouvir algo novo, ou de outro ponto de vista dos alunos. Aproveite estas oportunidades, elas contribuirão para que seja um profissional ainda melhor.
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  • As pessoas normalmente aprendem por associação e repetição.
  • A associação é muito importante, por isso que ter exemplos práticos são fundamentais. Um exemplo é quando falamos em flavors, imagina ensinar sobre termos como “Acetato de Isoamila”, “Diacetil”, “Alcetaldeído”, sem associar a banana, amanteigado e maça verde/tinta de parede. Então a dica é use sempre que possível exemplos e associações.
  • Repetição é fundamental para se aprender algo. E repetir não é decorar, repetir é viver/discutir/falar sobre um mesmo assunto e muitas vezes de maneira diferente, ou de pontos de vista diferente. Imagine a matemática, ninguém aprende um pouco matemática sem praticar. Assuntos cervejeiros devem ser encarados da mesma forma, é necessário praticar, repetir, vivenciar.
  • É importante lembrar disso, por mais que pareça impossível não gostar do assunto, sempre haverá pessoas que podem até achar legal”, mas não vão querer ser expert no assunto. Então cuidado ao se aprofundar muito nos assuntos. Deixe isso para pessoas que você tenha certeza que vão querer saber.
  • Caso o assunto seja muito extenso, separe em “níveis” de profundidade/complexidade.
  • Assim como existe a “pós-venda” de produto ou serviço, não se esqueça que para aprender ou ensinar algo vai além do momento “sala de aula”. Se puder, mantenha um canal de comunicação com seus “alunos”. Todos ganharão com isso. E com certeza novas amizades se formarão. Fato que o assunto cerveja nos proporciona de maneira incrivelmente natural.

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Comentários finais:

Gostaria de aproveitar e agradecer a todos que estão contribuindo de alguma maneira com a educação cerveja no país. Hoje temos diversos profissionais contribuindo com cursos, blogs, podcasts, programas de rádio e televisão, livros, revistas e jornais, etc. Acredito que vale mencionar um agradecimento especial a nomes de profissionais que vêm fazendo diferença para o nosso amadurecimento no assunto. E para não ser injusto, desde já, peço desculpas a profissionais que merecem estar na lista abaixo, mas que eu tenha esquecido no momento que estou escrevendo este texto. Segue em ordem alfabética:

Alfredo Ferreira, Amanda Reitenbach, Bia Amorim, Bob Fonseca, Carolina Oda, Cilene Saorin, Fabiana Arreguy, Hebert Schumacher, Kátia Jorge, Kathia Zanatta, Márcio Beck, Maurício Beltramelli, Marco Falcone, Raphael Rodrigues, Ronaldo Morado, Ronaldo Rossi, Rene Aduan, Sady Homrich, Samuel Cavalcanti, Luiz Caropreso, José Raimundo Padilha.

Denny Ueda

denny uedaDenny Ueda é Beer Sommelier e mestre em estilos formado pela ABS Instituto da Cervejaalém de ter uma vasta experiência profissional no ramo cervejeiro. Já foi proprietário da loja virtual Estação Cerveja, trabalhou na Cervejaria EikBier como consultor de negócios, na Wtrends como coordenador de projetos e atualmente possui uma empresa de consultoria, treinamentos e prestação de serviços vinculados a cerveja, a Plan Beer.

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Comments

  • Profissões Cervejeiras – Produtor de eventos cervejeiros – Denny UedaBrejada.com – Comunicação e Consultoria Cervejeira 25 de julho de 2014 at 14:36

    […] Veja também: Profissões Cervejeiras – Por Denny Ueda – Professor de cervejas […]

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  • Profissões Cervejeiras – O Vendedor de Cervejas – Por Denny UedaBrejada.com – Comunicação e Consultoria Cervejeira 18 de agosto de 2014 at 12:44

    […] Profissões Cervejeiras – Por Denny Ueda – Professor de cervejas […]

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