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Salve Brejeiros!

Fomos novamente convidados pela equipe do Mr. Beer para experimentarmos os mais novos rótulos exclusivos da rede. Dessa vez, foram 9 novas cervejas da famosa “cervejaria cigana” Mikkeller.

Quem ainda não conhece a Mikkeller, essa cultuada cervejaria dinamarquesa, tem como maior curiosidade o fato de não possuir uma cervejaria física. O dono e mestre cervejeiro Mikkel Borg viaja o mundo visitando cervejarias e produzindo cervejas em parcerias com as cervejarias locais. As primeiras cervejas da marca chegaram ao país no ano passado e fazem muito sucesso entre os mais aficionados.

Também gravamos pontos importantes do evento como detalhes sobre criação, importação e as questões fiscais para trazer uma cerveja para o pais.

Abaixo o vídeo com detalhes do evento e nossas avaliações dos rótulos e a galeria de fotos do evento:

Os novos 9 rótulos são de distribuição exclusiva pela rede Mr. Beer e já estão a disposição nas principais lojas da rede. Abaixo, a análise e nossa avaliação de cada uma deles:

1 – Kihoskh Døszt?

Kihoskh Døszt?

Aparência: Coloração dourada intensa, levemente turva, com espuma de boa formação e ótima persistência.

Aroma: Notas fortes cítricas vindas do lúpulo e algo frutado, remetendo a manga, com fundo maltado bem interessante. Boa presença de ésteres frutados no aroma.

Sabor: Início lupulado, com amargor bem presente, mas que ao engolir dá espaço a notas leves de malte e muita refrescância. Final seco, com aftertaste levemente frutado e doce. Belo equilíbrio entre as notas frutadas com a refrescância e leveza do sabor e corpo.

Tato: Corpo médio-baixo, com carbonatação média-alta e leve cremosidade.

Geral: Uma ótima cerveja, que combina elementos das ales, como os ésteres e as notas frutadas, com a refrescância e as notas leves e maltadas de uma lager. Bela drinkability.

2 – Rauchpils

mikkeller_Rauchpils

Aparência: Coloração dourado com leve turbidez, com boa formação e persistência da espuma.

Aroma: Notas defumadas dominam o aroma, com leve presença de lúpulo cítrico no fundo. Foi dado um belo equilíbrio entre os elementos do aroma, que não ficam exagerados e harmonizam bem entre si.

Sabor: Início totalmente defumado, mas refrescante, que logo dá espaço para o amargor do lúpulo, bem leve e cítrico. O final é seco e lupulado e o aftertaste limpo e seco.

Tato: Corpo médio-baixo, carbonatação média e cremosidade na medida.

Geral: Não exagera no defumado como uma tradicional Rauch, prezando pelo equilíbrio e a proposta de alinhar os bons elementos da cerveja defumada com a refrescância de uma Pilsen.

3 – Saison Sally

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Aparência: Coloração amarela clara com leve turbidez, com boa formação de espuma e ótima persistência.

Aroma: Aroma fantástico, com notas frutadas, florais e condimentadas. Agradabilíssimo!

Sabor: Segue o aroma, com início frutado, doce e condimentado que permanece até o fim. Aftertaste doce. Sabor cheio, que explode na boca, com dulçor na medida.

Tato: Corpo médio, com carbonatação média baixa e cremosidade na medida.

Geral: Uma saison que foge um pouco do “lugar comum”, sendo mais cheia e complexa que as tradicionais (lembra uma Tripel), mas não deixa de ser uma cerveja fantástica e muito bem feita.

4 – Wild Winter Ale

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Aparência: Coloração âmbar alaranjado brilhante, com boa formação e persistência da espuma.

Aroma: Presença fortíssima dos brettanomyces, com notas “animalescas”, que lembram couro, seleiro, cavalos, campo. Dentro do estilo proposto, pode se dizer que o aroma chega próximo ao ideal.

Sabor: O início segue o aroma, com sabor típico das lambics, mas com notas condimentadas que dão maior equilíbrio ao sabor. Final ainda traz a acidez do início, com aftertaste presente das notas do bretanomyces. Consegue ter um equilíbrio bom entre a base de uma ale e a acidez que lembra as sours.

Tato: Corpo e carbonatação baixos, com média adstringência.

Geral: Cerveja não recomendada para iniciantes, pelas notas ácidas e animalescas, mas ainda consegue ser mais “fácil” de ser experimentada que uma típica Lambic pelos menos acostumados. Estilo novo e de difícil execução, que é bem representado por esse exemplar, destaque para o rótulo que é sensível ao calor: as folhas da árvore somem quando a bebida não está gelada.

5 – Mikkeller 10

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Aparência: Coloração âmbar alaranjado, com ótima formação de espuma de boa persistência.

Aroma: Uma verdadeira explosão de lúpulos! Sente-se notas frescas de lúpulo, cítricas e herbais, além do frutado, que remete a manga e maracujá.

Sabor: Início lupulado, com notas maltadas, leve caramelo e frutado cítrico. Final seco e amargo, com aftertaste amargo e frutado. No sabor consegue se notar o uso de lúpulos de origem e resultados diferentes, com notas cítricas, herbais, terrosas, sendo bem harmonizadas entre si. Equilíbrio entre o lúpulo e a base maltada é ótimo.

Tato: Corpo e carbonatação média-baixa, com leve adstringência. Sensação na boca muito boa.

Geral: Ótima IPA, cumpre bem a proposta de misturar 10 lúpulos e consegue trazer a tona as características diferentes entre eles. Menos complexa e alcóolica que a 19 (que leva 19 lúpulos diferentes), porém mais fácil de beber e equilibrada. Bela cerveja!

6 – Crooked Moon Tattoo

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Aparência: Coloração dourada brilhante, com leve turbidez. Formação de espuma boa, com média persistência.

Aroma: Notas de lúpulo herbal e frutado, remetendo ao maracujá. Notas de malte também presentes, com leve caramelo.

Sabor: Início com amargor médio e dulçor elevado, com final doce e alcoólico, persistindo no aftertaste. Espera-se um pouco mais de lúpulo para um Double IPA, nesse caso há uma maior presença dos maltes e equilíbrio entre o corpo mais denso e com o amargor.

Tato: Corpo médio-alto, com carbonatação média e leve adstringência. Cremosa e bem encorpada.

Geral: Uma boa cerveja, que preza pelo equilíbrio. Tem um ótimo conjunto, mas poderia pesar um pouco mais nos lúpulos, para atender melhor a proposta de uma Imperial IPA.

7 – Wheat is the New Hops

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Aparência: Coloração amarelo claro, com ótima formação de espuma de boa persistência.

Aroma: Notas ácidas do brettanomyces com lúpulo cítrico, mais agradável e equilibrado. As notas do aroma que remetem as sours ficam cada vez mais evidentes conforme a cerveja vai esquentando.

Sabor: Início ácido, que remete ao sabor de vinho branco, com notas amargas do lúpulo no final e aftertaste amargo. Equilibrada, com álcool bem inserido.

Tato: Corpo médio-baixo, carbonatação baixa e cremosidade baixa. Adstringência média-baixa.

Geral: Bela criação, com uma proposta diferente. Não senti a presença do trigo, nem muito a base de uma IPA (lembra mais a carga de lúpulos de uma American Pale Ale), mas a cerveja é bem saborosa e diferente.

8 – Walk on the Water

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Aparência: Coloração dourada turva, com baixa formação de espuma de média persistência.

Aroma: Dominado pelo álcool, algo como conhaque. Notas de malte bem presentes também. Lembra mais uma Strong Lager, pela ausência de ésteres.

Sabor: Uma pancada alcóolica no início, com dulçor médio. Final e aftertaste ainda com as notas alcóolicas, que conseguem equilibrar com o corpo e deixar a cerveja saborosa. A presença do álcool é marcante, mas não incomoda.

Tato: Apesar do álcool, corpo médio-baixo e carbonatação baixa. Sem adstringência.

Geral: Uma cerveja que consegue ser leve apesar da graduação alcóolica, equilibrada e com drinkability boa para o estilo. Chega ao limite entre o quanto uma cerveja consegue ser forte no sabor, alcóolica e ao mesmo tempo leve e refrescante.

9 – Milk Stout

mikkeller_Milk_Stout

 

Aparência: Coloração preta opaca, com ótima formação de espuma e persistência alta.

Aroma: Notas marcantes de café, cappuccino e leve chocolate. Muito doce e aromática.

Sabor: Início doce, com leve malte torrado e café. Final e aftertaste doce e aveludado. Exatamente o que se espera de uma Sweet Stout, recheada de ésteres e totalmente equilibrada.

Tato: Corpo médio-alto, com carbonatação média e cremosidade alta. Corpo perfeitamente aderente ao estilo.

Geral: O exemplar que segue melhor o padrão de estilo, atendendo perfeitamente ao que se propõe. Exemplo clássico, perfeita!

Impressão Geral: Em primeiro lugar, é notável a capacidade técnica das criações da Mikkeller, que não apresentam absolutamente nenhum defeito aparente. Além disso, todas as cervejas têm propostas únicas e conseguem ser o “ponto fora da curva” das cervejas normais. Impossível decidir a mais completa ou a melhor, pois todas conseguem surpreender positivamente.

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Parabéns à Mr. Beer, pela iniciativa em trazer novos rótulos dessa cervejaria fantástica, a Tarantino pela intermediação junto aos fabricantes e por fazer possível a chegada desses rótulos no país.

Cheers!