
Carlos Germano: o centenário do Vasco de 1998, o vestiário na fumaça e a emoção

Carlos Germano, goleiro do Vasco campeão da Libertadores de 1998, abriu o jogo no painel de lendas da CONMEBOL Libertadores, no evento Amstel × CONMEBOL. Ele contou como o time se reergueu depois de um início ruim, o que acontecia nos vestiários mais hostis do continente e por que a torcida é, para ele, o termômetro de tudo.
1998: a luz que acendeu no México
Germano conta que a virada começou com conversa. “A gente começa muito mal a fase de grupos. Nos três primeiros jogos a gente só tinha um ponto”, lembra. Foi em um treino no México que o grupo se reuniu com o técnico Antônio Lopes. “E as coisas foram resolvidas. Depois a gente fez a diferença em casa e seguiu.”
River Plate: a final antecipada
Um jogo, em especial, mudou a confiança do elenco: o duelo contra o River Plate. “A gente já estava atravessado pelo River Plate, que no ano anterior havia nos vencido”, lembra Germano. “Quando a gente consegue passar, com aquele gol do Juninho Pernambucano, a gente sentiu que tinha condição de ser campeão.”
A liderança no vestiário
Sobre a função de liderança, Germano é direto: ela vem da experiência e da conversa. “Quando você está vendo que o negócio não está correndo bem, é reunir a rapaziada, o staff, e conversar.” Ele cita nomes do grupo: “Pegava o Mauro Galvão, extremamente experiente, campeão de Libertadores. Tinha o Juninho Pernambucano… e jovens como o Felipe e o Pedrinho, o Ramon Menezes.” Mauro Galvão, aliás, era o capitão. “Nada melhor do que ter ao lado um líder positivo, para mudar situações até dentro de campo.”

Os vestiários hostis: Olímpico e Guayaquil
Germano lembrou de dois episódios de bastidor. No Olímpico, contra o Grêmio, “quando a gente chega no vestiário, tinham pintado as paredes — então ninguém conseguia ficar dentro”. Já na final, contra o Barcelona de Guayaquil, o cenário foi outro: “Eles botaram uma fumaça para dentro do vestiário, a torcida botou fumaça. A gente trocava no corredor também, e no intervalo não deu.” Para ele, é esse tipo de história que dá graça ao futebol sul-americano.
A torcida é o termômetro de tudo
“A torcida é o termômetro de tudo”, define Germano. “Ela sabe que pode continuar cantando porque o time está bem, e sabe a hora de cobrar.” Sobre entrar num jogo grande, ele é enfático: “Em qualquer lugar que você vai pisar, é outra história. Você se prepara para tudo isso, porque é a maior competição da América.”
O centenário: “a América no nosso ano”
Germano descreve o peso do título. “Em 1998 foi o centenário do Vasco, e a gente conquista a América no nosso centenário.” Ele lembra do apito final. “O juiz pega a bola, termina o jogo, e o Vasco é campeão da Libertadores.” Depois, a emoção vem da torcida: “Quando o torcedor te dá um abraço, é pra sempre.”
O elenco de 1998 até hoje
Sobre o grupo que conquistou a América, Germano garante que a amizade segue firme. “A gente se encontra a cada dois meses no Rio, os que podem ir; almoçamos, ficamos uma tarde juntos. E tem o WhatsApp também.” Entre os mais próximos, cita Mauro Galvão e Pedrinho. Formado na base, ele jogou 15 anos no Vasco — e até hoje é lembrado como “o Carlos Germano do Vasco”.
O goleiro mais tranquilo e as três filhas
Conhecido pela calma, Germano conta que, em casa, a cobrança vem de outro lugar. “Eu tenho três filhas… e a mais velha é quem cobra mais.” Ele diz que sofre com o clube como qualquer torcedor: “Eu sou nessa paz toda, mas a gente se envolve, a gente sofre com o nosso clube.”

O painel completo
Além deste papo, o painel de lendas da CONMEBOL Libertadores reuniu Diego Lugano, Rosana Augusto, Chicão e Carlos Germano. A conversa integra a cobertura da TVBrejada para o evento Amstel × CONMEBOL.
Por isso, os quatro papos estão publicados no canal — assista também:
- Chicão: os pênaltis e a Libertadores (5min53)
- Rosana Augusto: intensidade e futebol feminino (7min31)
- Carlos Germano: vestiário e bastidores (12min06)
- Diego Lugano: papo completo (11min35)
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