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Lugano abre o jogo: ‘zero saudades’ de jogar, o túnel da Libertadores e o estádio mais difícil

18 de outubro de 2026 · Kadu Mendes · 5 mins de leitura

Diego Lugano não fugiu de nenhuma pergunta no painel de lendas da CONMEBOL Libertadores, no evento Amstel × CONMEBOL. O ex-zagueiro do São Paulo e da seleção uruguaia falou da aposentadoria, do ritual antes de entrar em campo, do túnel que antecede as decisões e elegeu o estádio mais difícil do futebol brasileiro.

Vídeo em modo automático (sem som) — ative o som no player. Diego Lugano no painel de lendas da CONMEBOL Libertadores, no evento Amstel × CONMEBOL.

Diego Lugano: “zero, zero saudades”

Quando questionado se sente falta de jogar, Lugano foi direto: “Zero, zero saudades.” Além disso, ele explicou de onde vem a resposta — da tranquilidade de quem deixou tudo em campo.

“Até quando você é jogador, quando você deu tudo o que tinha, tanto fisicamente quanto mentalmente, você olha para trás com uma tranquilidade: fiz o que podia. Então, com essa tranquilidade você deixa o futebol e começa a viver a sua vida — que também é bonita e agradável, não é só jogar bola”, disse, lembrando que hoje acompanha Libertadores e mundiais como o do São Paulo com outro olhar.

O túnel: “o momento de maior adrenalina”

Depois de falar do pós-carreira, Lugano elegeu o instante anterior à bola rolar como o mais marcante da carreira. “Aquele momento ali, a última resenha antes de entrar no campo, de sentir o barulho da torcida, é o momento de maior adrenalina e o mais mágico do jogador. Porque depois a bola começa a rodar e é futebol.”

No entanto, ele critica quem apaga essa cena do futebol moderno: “uma crítica construtiva que eu sempre faço, até em Portugal, por copiar a Europa” — para ele, quem tira o túnel perde justamente o que faz a Libertadores ser especial.

O ritual pré-jogo

Sobre como era o Lugano minutos antes de uma partida, a resposta veio com um detalhe: “Era muito concentrado. Na parte tática, não era de gritar, mas de dar instruções, um a um, sempre.”

Além disso, o trabalho dele começava antes mesmo do apito: “Você tem que, não só jogar, mas pré-ver os lances do jogo, prever os momentos dos companheiros, organizar. É a minha fortaleza.” Por isso, ele se via, nas próprias palavras, como o “presidente do vestiário” — o responsável por passar a mentalidade vencedora a quem chegava.

O estádio mais difícil do Brasil é o Santos

Ex-jogador durante o evento Amstel
Durante o evento Amstel (foto: divulgação)

Perguntado sobre os estádios emblemáticos da Libertadores, Lugano citou a Bombonera e o Monumental — mas, no Brasil, elegeu um: “O estádio mais difícil é o Santos, ainda.” A explicação passa por torcida e por um time que, nas palavras dele, “fazia você passar vergonha se não estava muito bem naquela tarde”.

No entanto, o que ele mais gostava era o Nordeste: “Eu gostava porque era mais criativo — os mosaicos, o jeito como a torcida cantava. A experiência era diferente.”

Diego Lugano e a Libertadores de 2005

Já que o assunto era a Libertadores, Lugano voltou a 2005: naquele ano ele foi campeão pelo São Paulo — o terceiro título do clube na competição — e, meses depois, levantou também o Mundial de Clubes. Por isso, aquele elenco tem peso especial na fala dele.

Elenco do São Paulo de 2005
O elenco do São Paulo de 2005, campeão da Libertadores e do Mundial (foto: Ricardo Stuckert/PR — CC BY 3.0 BR)
Lugano campeão da Libertadores de 2005
Lugano, campeão da Libertadores de 2005 pelo São Paulo (foto: São Paulo FC/Divulgação)

A torcida sul-americana

Ao falar do ambiente continental, Lugano foi diplomático e depois certeiro: “Cada time, cada país acha que sua torcida é a melhor, obviamente. Mas tem algo comum, que é essa paixão, essa devoção pelo clube — e é isso que torna a Libertadores tão especial.”

Sobre jogar na casa do adversário, por outro lado, ele resumiu: “É difícil, é especial, é desagradável, é complicado.”

O grupo de WhatsApp do time de 2005

Embora esteja longe dos gramados, Lugano mantém contato quase diário com a geração campeã. “Temos um grupo de WhatsApp. Hoje a tecnologia ajuda: a gente está em contato quase todos os dias.”

Então ele emendou uma reflexão: “Sempre se fala que os grupos trazem títulos. Não sei se o grupo conquista o título ou se, depois que você conquista, ele fica marcado e unido por toda a vida — porque aqueles 11 jogadores são parte da tua história.”

Como Diego Lugano vê futebol hoje

Zagueiro no estadio do Morumbi
No Morumbi (foto: São Paulo FC/Divulgação)
Jogador em campo pelo São Paulo
Em campo pelo São Paulo na Libertadores (foto: Globo Esporte/Reprodução)

Além disso, ele admite que ainda se irrita com o que considera “coisa errada” no esporte. Assim como na época de jogador, hoje ele se define como um torcedor tranquilo — com um porém: “Tranquilo, tranquilo. Mas quando eu vejo coisa errada eu fico um pouco mais nervoso, por termos esportivos. Sei a responsabilidade que é, sei que tem milhões de pessoas do outro lado.”

O painel completo

Além de Lugano, o painel de lendas da CONMEBOL Libertadores reuniu a ex-jogadora e treinadora Rosana Augusto, o bicampeão mundial Chicão e o goleiro Carlos Germano. A conversa integra a cobertura da TVBrejada para o evento Amstel × CONMEBOL.

Por isso, os quatro papos estão publicados no canal — assista também:

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