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Atravessamentos Naturais: a arte que reinventa a natureza

21 de setembro de 2026 · Kadu Mendes · 9 mins de leitura

Atravessamentos naturais é o nome da nova exposição que chega ao Tropigalpão, no Rio de Janeiro. Este projeto cultural é realizado em colaboração direta com a renomada Galatea. A mostra propõe um olhar renovado sobre a representação da fauna e da flora. Com curadoria de Tomás Toledo, o evento promete movimentar o cenário das artes. A abertura oficial ocorre no dia 17 de setembro de 2026. Além disso, a iniciativa integra a programação paralela da ArtRio.

atravessamentos naturais - foto
atravessamentos naturais – foto
atravessamentos naturais - foto
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A proposta da exposição Atravessamentos Naturais

A natureza pode ser interpretada de diversas maneiras pelos artistas. Ela surge frequentemente como paisagem, matéria-prima ou elemento construtivo. Em Atravessamentos Naturais, essas possibilidades são exploradas com profundidade. O espaço Tropigalpão, conhecido por seus projetos multidisciplinares, é o cenário ideal. Portanto, a mostra convida o público a refletir sobre o mundo ao redor.

A curadoria selecionou cinco nomes fundamentais para este diálogo. São eles: Anísio O. Couto, Chico da Silva e Grauben do Monte Lima. Também participam Silia Moan e Ygor Landarin. Com isso, a exposição aproxima artistas de contextos geográficos e temporais distintos. Ademais, cria relações entre modos variados de elaborar o mundo artístico.

O diálogo entre gerações na mostra

O ponto de partida reside em Chico da Silva e Grauben do Monte Lima. Ambos são artistas históricos com formas singulares de representar a natureza. Em suas pinturas, os registros naturalistas são deixados de lado. Por outro lado, surgem criaturas fantásticas e paisagens imaginadas. Dessa forma, a natureza é transformada em um universo artístico próprio.

Tomás Toledo utiliza a justaposição como ferramenta curatorial. Ele coloca em fricção a produção desses mestres com os artistas contemporâneos. Silia Moan, Anísio O. Couto e Ygor Landarin trazem novas perspectivas. Assim, o diálogo intergeracional revela modos particulares de pensar a criação. É um convite para observar como o tempo altera nossa percepção visual.

A materialidade em Atravessamentos Naturais

A produção artística presente no Tropigalpão utiliza diversos materiais. Observamos a presença de madeira, barro, tecido e até conchas. Esses elementos ampliam as possibilidades de relação com o mundo natural. Por exemplo, a experimentação cromática é um traço marcante. Consequentemente, a matéria física torna-se linguagem artística viva.

Os procedimentos de fabulação unem os cinco artistas convidados. Eles compartilham afinidades técnicas, apesar das diferenças temporais. No entanto, cada um mantém sua autonomia criativa. A exposição, portanto, forma uma leitura articulada sobre a construção artística. É possível conferir mais detalhes visuais em imagens de alta resolução disponíveis.

Programação especial e Atravessamentos Naturais

O Tropigalpão preparou uma programação intensa para setembro. Na mesma quinta-feira, dia 17, ocorre outra inauguração importante. Trata-se de Meteorium III, de Dominique Gonzalez-Foerster. Originalmente apresentada na Pinacoteca em 2025, a obra agora surge como filme. Com efeito, a artista explora exposições como cenário de suas criações.

Ademais, a mostra ONDE, de Umberto Costa Barros, compõe a agenda. A curadoria é de Catherine Bompuis, com apoio da galeria Marli Matsumoto. O conjunto reúne documentos fotográficos de intervenções site-specific. Por fim, destaca-se o trabalho BUFFER, de 2023. Essa exposição reforça o caráter precursor de sua pesquisa artística.

O contexto histórico de Atravessamentos Naturais

Umberto Costa Barros atuou em um período difícil da ditadura. Ele pertence à geração que surgiu após o AI-5 em 1968. Portanto, seu trabalho está inserido em um contexto de experimentação intensa. Ele dividiu o cenário com nomes como Cildo Meireles. Da mesma forma, Antonio Manuel e Luiz Alphonsus faziam parte desse grupo.

O Tropigalpão recebe um recorte cuidadoso dessa trajetória. A contribuição de Costa Barros para a arte e arquitetura é evidente. Assim, o público pode entender melhor as raízes da arte contemporânea. A exposição Atravessamentos Naturais dialoga com esse legado histórico. É uma oportunidade única de revisitar o passado nacional.

Sobre a Galatea e Atravessamentos Naturais

A Galatea é comandada por Antonia Bergamin, Conrado Mesquita e Tomás Toledo. A galeria possui espaços na Oscar Freire e na Padre João Manuel. Além disso, mantém uma unidade em Salvador, no centro histórico. Sua trajetória é marcada por vivências complementares dos sócios. Eles focam na arte brasileira moderna e contemporânea.

A missão da galeria é clara e ambiciosa. Eles trabalham com nomes consagrados e novos talentos do mercado. Também promovem o resgate de artistas históricos negligenciados. Com isso, a Galatea fortalece o ecossistema cultural do país. A parceria no projeto Atravessamentos Naturais reflete esse compromisso.

Conclusão sobre Atravessamentos Naturais

Em resumo, a mostra é um marco no calendário carioca. Ela consegue unir gerações através da temática da natureza. O Tropigalpão reafirma seu papel como espaço de vanguarda. Além disso, a curadoria de Toledo é precisa e instigante. Portanto, a visita é indispensável para quem ama artes visuais.

Os atravessamentos naturais aqui propostos transcendem a simples estética. Eles nos forçam a questionar o papel do artista. Como transformamos o mundo em linguagem? Essa é a pergunta que ecoa nas paredes da galeria. Por fim, convidamos você a conhecer mais sobre o universo da cerveja e lifestyle em brejada.com

Atravessamentos Naturais não apenas promete renovar a percepção artística sobre a natureza, mas também se consolida como um dos eventos mais esperados da ArtRio 2026, com uma proposta que vai além das paredes do Tropigalpão. A exposição, que se estende até o dia 30 de outubro, foi concebida para explorar os atravessamentos naturais como metáfora de diálogos entre culturas, técnicas e épocas, criando pontes invisíveis entre o passado e o presente. O espaço, conhecido por sua arquitetura que dialoga com a paisagem urbana do Rio, será transformado em um laboratório de reflexões, onde cada obra convida o espectador a questionar a fronteira entre o real e o imaginário na representação da biodiversidade.

Além dos cinco artistas principais, a mostra conta com uma seleção de obras raras de acervos particulares e institucionais, como a Fundação Bienal de São Paulo e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). Essa diversidade de fontes enriquece o diálogo, apresentando desde pinturas do século XX, como as de Chico da Silva — conhecido por suas paisagens amazônicas repletas de simbolismos indígenas — até obras contemporâneas de Ygor Landarin, que utiliza a fotografia e a instalação para explorar a relação entre o homem e os ecossistemas em crise. Um destaque especial é a série Flora Fantástica, de Silia Moan, onde a artista brasileira, inspirada em mitologias africanas e brasileiras, reinterpreta plantas nativas através de técnicas de colagem e pintura, criando atravessamentos naturais entre o folclore e a ciência.

Para aprofundar o debate, o Tropigalpão organizou uma série de mesas-redondas com curadores, historiadores e artistas, como a conversa entre Tomás Toledo e a bióloga Marina Rosa, que abordará o tema Arte e Conservação: Quando a Imagem Salva o Ambiente. Esses encontros, realizados nas tardes de sábado, buscam contextualizar as obras dentro de discussões urgentes sobre desmatamento, extinção de espécies e a responsabilidade estética na representação da natureza. A exposição também incluirá uma instalação imersiva, Respiração Florestal, de Anísio O. Couto, que utiliza sons gravados em florestas primárias do Brasil para criar uma experiência sensorial que desafia a noção tradicional de atravessamentos naturais como algo apenas visual.

Outro aspecto inovador da mostra é a parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que disponibilizará guias de campo para o público identificar espécies representadas nas obras. Essa iniciativa visa conectar a arte à educação ambiental, transformando a visita ao Tropigalpão em uma experiência de aprendizado ativo. Além disso, a exposição será documentada por um fotógrafo convidado, que registrará as reações do público e os detalhes das obras em um projeto chamado Olhares Transversais, que será exibido em formato de livro após o encerramento.

No âmbito da programação paralela, o Tropigalpão também apresentará um ciclo de palestras intitulado Narrativas da Terra, com participação de artistas como Cildo Meireles (em homenagem póstuma) e do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que discutirão como a arte pode ser uma ferramenta de resistência cultural em tempos de degradação ambiental. Essa iniciativa reflete o compromisso da mostra em não apenas exibir obras, mas também em fomentar um debate crítico sobre o papel da arte na preservação dos atravessamentos naturais — tanto físicos quanto simbólicos — que definem a identidade brasileira.

Para os amantes de arte e ecologia, a exposição oferece ainda uma visita guiada exclusiva aos sábados, às 15h, mediada por biólogos e artistas, que explorarão temas como a mitologia das plantas na arte indígena, a representação da fauna em obras modernistas e as novas linguagens visuais que emergem da relação entre tecnologia e natureza. Essa abordagem interdisciplinar reforça a ideia de que Atravessamentos Naturais não é apenas uma mostra, mas um convite à reflexão sobre como nos relacionamos com o mundo natural — e como a arte pode ser uma ponte para reimaginar esse vínculo.

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