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Como a quebra de confiança afeta a relação no dia a dia

24 de agosto de 2026 · Kadu Mendes · 8 mins de leitura

Quebra de confiança no relacionamento é um tema de extrema relevância quando analisamos a saúde afetiva dos casais modernos e a busca por um estilo de vida equilibrado a dois. Muitas vezes, a palavra traição é associada unicamente a encontros íntimos ou envolvimentos sexuais mantidos fora do casamento. Contudo, a estabilidade de uma união pode ser severamente abalada por atitudes sutis que envolvem a criação de laços emocionais paralelos, a omissão de segredos financeiros e o descumprimento sistemático de acertos prévios. Para compreender a complexidade dessas dinâmicas interpessoais, trazemos as orientações e análises da terapeuta familiar Aline Cantarelli, especialista focada em relacionamentos conjugais, comunicação afetiva e restauração de vínculos no ambiente familiar.

quebra de confiança - foto
quebra de confiança – foto

Com uma sólida trajetória profissional construída ao longo de mais de quinze anos no atendimento a casais, Aline Cantarelli já acompanhou de perto o histórico de mais de seis mil famílias. Além do trabalho em consultório, a terapeuta atua como professora em cursos de pós-graduação dedicados às áreas de Saúde Mental, Ciências da Mente e Orientação Familiar, além de exercer forte presença como palestrante e comunicadora digital. Em suas redes e palestras, aborda temas como convivência conjugal, rotina familiar, maternidade, perdão e sexualidade com profundidade e acolhimento. Segundo a especialista, o alicerce fundamental do casamento é a segurança depositada no outro, e a perda dessa certeza pode desestruturar a convivência diária de maneira profunda.

A reflexão sobre a harmonia no ambiente doméstico mostra que a convivência precisa ser regida por transparência e respeito mútuo. Quando esse fluxo é interrompido por atitudes veladas, os impactos na saúde mental e na rotina do casal se tornam inevitáveis, interferindo inclusive nos momentos de lazer, descanso e interação social. Para analisar como isso ocorre na prática, a terapeuta detalha os diferentes tipos de infidelidade que podem surgir na jornada a dois e como identificá-los antes que causem estragos irreparáveis.

quebra de confiança - foto
quebra de confiança – foto

Como identificar a quebra de confiança emocional

A infidelidade não se limita a atos físicos, podendo se manifestar em quatro modalidades principais: a sexual, a emocional, a financeira e a de confiabilidade. Dentre elas, a variante emocional ganha destaque por se desenvolver de forma silenciosa e gradual. A quebra de confiança emocional acontece quando um dos parceiros passa a dividir sentimentos íntimos, desabafos sobre a vida, preocupações cotidianas e momentos de grande relevância com uma pessoa externa à relação, enquanto esse mesmo tipo de partilha diminui progressivamente dentro do próprio casamento, esvaziando a conexão entre o casal.

É essencial pontuar que ter amizades, conversar com colegas de trabalho e manter uma vida social ativa fora do casamento são hábitos perfeitamente saudáveis e necessários para qualquer indivíduo. A convivência social não representa uma ameaça em si. O ponto crítico e de alerta surge no momento em que o vínculo mantido com um terceiro passa a concentrar a atenção, o tempo de qualidade e a intimidade afetiva que antes eram destinados exclusivamente ao cônjuge. Quando esse limite passa a ser ignorado, instala-se um distanciamento gradual na rotina conjugal.

Habitos cotidianos como a troca constante de mensagens ao longo do dia, caronas frequentes e uma convivência próxima no ambiente de trabalho fazem parte do dia a dia de muitas pessoas. Conforme ressalta a especialista, o problema central não reside nessas atividades isoladas, mas na recorrência e no espaço de destaque que aquela relação passa a ocupar na vida do indivíduo, substituindo a presença e a atenção devidas à parceria matrimonial.

Para ilustrar esse cenário, a terapeuta Aline Cantarelli traz o exemplo de alguém que adquire o costume de compartilhar todas as novidades, alegrias e frustrações do expediente com um colega de trabalho. Ao retornar para casa ao fim do dia, essa pessoa já esgotou sua necessidade de desabafo e interação emocional. Quando o cônjuge pergunta como foi o dia, a resposta passa a ser apenas um frio e genérico ‘normal’. Embora essa postura isolada não confirme uma traição consumada, é um indício claro de que uma intimidade paralela está sendo construída e nutrida fora do casamento.

A quebra de confiança financeira e a rotina do casal

Além da esfera afetiva, a traição também pode se materializar no campo das finanças e no descumprimento constante de pequenos acordos diários. A omissão de dívidas, o ocultamento de gastos, decisões financeiras tomadas de maneira unilateral e mentiras sobre a situação econômica do lar configuram a traição financeira. Do mesmo modo, a confiabilidade é abalada quando combinados simples de convivência são quebrados repetidamente, minando a previsibilidade e a paz necessárias para a manutenção da rotina a dois.

A terapeuta destaca que não existe uma regra única ou uma fórmula pronta aplicável a todas as relações conjugais. Cada casal possui uma dinâmica própria e precisa definir com clareza os seus próprios limites, pactos e valores. Cabe aos dois parceiros alinhar abertamente quais atitudes são aceitáveis e quais comportamentos violam os compromissos estabelecidos entre eles, garantindo que ambos se sintam seguros e respeitados na caminhada em conjunto.

Quem responde pela quebra de confiança no casamento

Quando uma situação de infidelidade é descoberta, uma das maiores dúvidas diz respeito às responsabilidades de cada parte no processo. A terapeuta Aline Cantarelli esclarece essa distinção com bastante objetividade: a responsabilidade pelo ato da traição em si é 100% individual da pessoa que optou por quebrar o acordo e enganar o parceiro. Por outro lado, a qualidade da relação e as dificuldades vivenciadas pelo casal antes do episódio são de responsabilidade compartilhada por ambas as partes.

Essa diferenciação é fundamental para proteger a integridade emocional do cônjuge traído. É frequente que a pessoa que sofreu a traição passe a se comparar com o terceiro envolvido, questionando seu próprio valor, sua beleza, sua atratividade ou sua disponibilidade afetiva. A especialista lembra que o comportamento inadequado do parceiro não deve determinar o valor pessoal da vítima. A autoestima é uma percepção interna sobre si mesma e não deve ser abalada pelas escolhas e erros cometidos pelo outro.

Superando a quebra de confiança e o caminho da reconstrução

Após a confirmação de que houve uma quebra de pacto, abre-se um momento decisivo para o futuro do casal. A pessoa traída possui o direito pleno de decidir se deseja encerrar o vínculo conjugal ou se quer tentar a reconstrução do casamento. Caso exista o desejo mútuo de dar uma nova chance à relação, o indivíduo que cometeu a traição precisa demonstrar um arrependimento sincero e provar, por meio de atitudes consistentes e mudanças visíveis de comportamento, que é digno de recomeçar.

Outro ponto de extrema importância abordado por Aline Cantarelli é a clara distinção entre perdoar e esquecer. O perdão não apaga o fato ocorrido da memória, pois as marcas da experiência permanecem na história do indivíduo. Além disso, ninguém é obrigado a perdoar ou a continuar em um casamento fragilizado. A escolha de permanecer juntos exige uma avaliação criteriosa sobre se ainda existem condições emocionais, respeito e disposição genuína para erguer uma nova história a dois.

Refletir sobre o comportamento humano, a comunicação afetiva e a transparência nas relações nos ajuda a construir laços mais fortes e saudáveis em todos os aspectos da vida. Se você é um profissional de mídia e identificou que este assunto não corresponde ao foco da sua cobertura habitual, é possível reportar aqui o ajuste de editorias. Para continuar lendo sobre estilo de vida, comportamento e novidades cotidianas, acesse o portal brejada.com e fique por dentro de nossos conteúdos exclusivos.

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