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Consumo de sorvete: entenda o novo efeito ampulheta no setor

9 de outubro de 2026 · Kadu Mendes · 9 mins de leitura

Consumo de sorvete é um tema que ganha destaque especial neste mês de setembro. Com a chegada do Dia Nacional do Sorvete, comemorado em 23 de setembro, o setor revela dados cruciais. O mercado brasileiro atravessa um período de mudanças significativas em suas dinâmicas. Por isso, analisar o comportamento do consumidor tornou-se essencial para entender o varejo.

O cenário atual do consumo de sorvete no Brasil

Recentemente, a Scanntech divulgou um levantamento detalhado sobre o desempenho da categoria. Os dados abrangem o período entre janeiro e julho de 2026. Portanto, temos uma visão clara sobre as movimentações recentes do mercado. Infelizmente, observou-se uma retração de 5,4% no volume total de vendas. Contudo, essa queda não atingiu todos os segmentos de forma igualitária.

A transformação nos segmentos de mercado

O mercado de sorvetes está passando por um fenômeno interessante. Chamamos esse movimento técnico de efeito ampulheta pelos especialistas. Basicamente, as pontas do mercado cresceram enquanto o meio sofreu. Os segmentos premium e econômico ganharam participação relevante no volume total. Em contrapartida, o segmento mainstream perdeu espaço significativo nas prateleiras.

Mais especificamente, o setor premium avançou 1,3 ponto percentual. Da mesma forma, o segmento econômico cresceu 1,6 ponto percentual. Por outro lado, o mainstream registrou uma perda de 2,8 pontos percentuais. Essa configuração mostra uma clara polarização nas escolhas dos brasileiros. Desta forma, o consumidor busca ou muito valor ou muita economia.

Entendendo o efeito ampulheta no consumo de sorvete

O efeito ampulheta ocorre quando o consumidor evita opções intermediárias. Geralmente, o mainstream tenta entregar um pouco de qualidade e um pouco de preço. No entanto, quando o preço desse segmento se aproxima das pontas, a migração acontece. Felipe Passarelli, da Scanntech, explica bem esse fenômeno. Ademais, ele ressalta que o premium está ligado a um alto valor percebido.

Por outro lado, o segmento econômico foca estritamente na acessibilidade financeira. Quando o mainstream perde sua competitividade, ele acaba perdendo seu público fiel. Com efeito, os clientes acabam optando pelos extremos da categoria. Essa transição reflete uma mudança profunda no perfil de compra atual. Além disso, as estratégias das indústrias precisam se adaptar a essa nova realidade.

Variações de preços e impactos no consumo de sorvete

Outro ponto fundamental reside na análise dos preços médios praticados. Entre janeiro e julho de 2026, notamos movimentos divergentes nos valores. Por exemplo, o preço médio do segmento econômico caiu 2,5%. Simultaneamente, o segmento premium apresentou uma redução de 4,9% no preço médio. Essas quedas ajudam a explicar o aumento da participação dessas categorias.

Entretanto, o mainstream seguiu um caminho oposto e preocupante. O preço médio desse grupo subiu 4,4% no mesmo período analisado. Consequentemente, isso tornou o produto menos atraente para o consumidor médio. Ademais, a distância entre o premium e o mainstream diminuiu drasticamente. Em 2025, o premium era 2,26 vezes mais caro. Agora, essa relação caiu para 2,06 vezes.

Fatores climáticos e o consumo de sorvete em 2026

Muitos acreditam que o clima dita o ritmo das vendas. Tradicionalmente, temperatura e volume de sorvetes andam de mãos dadas. Contudo, o ano de 2026 quebrou esse padrão histórico observado anteriormente. Embora as temperaturas estivessem mais amenas, a queda no volume foi desproporcional. Portanto, o clima sozinho não explica todo o cenário de retração.

A intensidade do recuo superou as expectativas baseadas apenas no termômetro. Dessa forma, outros fatores econômicos devem estar influenciando o comprador brasileiro. Por fim, é preciso olhar para a frequência de compra. O consumidor está comprando menos vezes, mas selecionando melhor seus itens. Assim, a qualidade acaba pesando mais na decisão final do que o volume.

O futuro do mercado e o comportamento do consumidor

O consumo de sorvete continuará evoluindo nos próximos meses. As empresas precisam entender que o consumidor busca valor agregado. Ainda que o volume total diminua, a disposição a pagar persiste. Contudo, o cliente quer sentir que seu gasto vale cada centavo. Portanto, a experiência de consumo tornou-se o grande diferencial competitivo.

Ademais, a tecnologia de dados da Scanntech permite essa análise precisa. Com bilhões de tickets processados, a inteligência de mercado ganha força. Assim, indústrias e varejistas podem tomar decisões muito mais assertivas. Em resumo, o setor está se profissionalizando diante dos desafios. Para saber mais novidades sobre o mercado de bebidas e alimentos, acesse nosso portal em https://brejada.com.

Para mais informações sobre a fonte desta análise, consulte o site oficial da Scanntech. A empresa continua monitorando as tendências do varejo latino-americano. Com isso, garantimos que o setor de alimentos esteja sempre atualizado. Por fim, o Dia do Sorvete celebra não apenas o produto, mas toda a cadeia produtiva brasileira.

O consumo de sorvete no Brasil, além de ser um reflexo das mudanças climáticas e sazonais, também revela nuances comportamentais que vão muito além do simples prazer térmico. Em 2026, o mercado enfrentou uma retração de 5,4% no volume total de vendas, segundo a Scanntech, mas os números escondem uma dinâmica mais complexa, especialmente quando se analisa o impacto das redes sociais e das tendências de *wellness* no *consumo de sorvete*. Plataformas como Instagram e TikTok têm impulsionado o interesse por versões premium do produto, muitas vezes associadas a ingredientes orgânicos, veganos ou até mesmo funcionalidades nutricionais, como sorvetes enriquecidos com probióticos ou antioxidantes. Essa demanda por diferenciação está diretamente ligada ao crescimento de 1,6 pontos percentuais do segmento econômico, que, apesar de parecer contraditório, se justifica pela busca de opções acessíveis mas com apelo saudável, como as versões *light* ou sem açúcar.

Outro fator que tem reconfigurado o mercado é a crescente conscientização ambiental. O consumidor brasileiro, cada vez mais informado, está optando por marcas que adotam embalagens sustentáveis ou que promovem iniciativas de reciclagem. Segundo dados da Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), 42% dos consumidores declararam que consideram o impacto ambiental ao escolher um sorvete, um aumento de 12% em relação a 2025. Essa mudança tem forçado as indústrias a repensarem seus processos, com algumas já investindo em embalagens biodegradáveis ou em programas de coleta seletiva em parceria com redes de varejo.

O efeito ampulheta, observado pela Scanntech, também reflete uma transformação na forma como os brasileiros enxergam o *consumo de sorvete*. O segmento mainstream, tradicionalmente dominado por marcas como Häagen-Dazs e Ben & Jerry’s no Brasil, perdeu 2,8 pontos percentuais devido à falta de inovação em seus produtos. Enquanto o premium apostou em sabores exclusivos, como matcha, lavanda ou até mesmo versões com ingredientes regionais como cupuaçu ou açaí, o mainstream ficou estagnado, oferecendo poucas variações em relação aos anos anteriores. Essa estagnação é ainda mais preocupante quando se considera que o preço médio desse segmento subiu 4,4% no primeiro semestre de 2026, tornando-o menos competitivo frente às opções econômicas, que reduziram seus preços em 2,5%.

O clima, embora não tenha sido o principal responsável pela retração de 2026, ainda exerce influência significativa. Em anos anteriores, o consumo de sorvete seguia uma curva clara: quanto mais quente o verão, maior o volume vendido. No entanto, em 2026, mesmo com temperaturas amenas em algumas regiões, a queda foi mais acentuada, sugerindo que o consumidor está priorizando qualidade sobre quantidade. Isso fica evidente quando se analisa a frequência de compra: enquanto em 2025 o brasileiro comprava sorvete em média 8,2 vezes ao ano, em 2026 esse número caiu para 6,7 vezes, mas o valor médio gasto por compra aumentou 18%. Essa mudança indica que o consumidor está optando por experiências mais raras e memoráveis, como degustações em sorveterias artesanais ou compras de kits premium para compartilhar com amigos e familiares.

Para as empresas do setor, a adaptação a esse novo cenário exige estratégias multifacetadas. Além de inovar em sabores e apresentação, as marcas precisam investir em storytelling, destacando a origem dos ingredientes e os valores sustentáveis por trás de seus produtos. A Scanntech destaca que as indústrias que conseguirem aliar qualidade, preço competitivo e responsabilidade ambiental terão maior sucesso no mercado. Um exemplo disso é a marca *Sorvetes da Serra*, que cresceu 12% em 2026 ao promover uma linha de sorvetes feitos com leite de cabra da região Sul do país, combinando tradição com apelo premium.

O Dia Nacional do Sorvete, celebrado em 23 de setembro, ganha ainda mais relevância nesse contexto, servindo como um termômetro das tendências do setor. Eventos como feiras de sorvetes artesanais e campanhas de conscientização sobre o consumo responsável têm se tornado cada vez mais comuns, mostrando que o mercado está amadurecendo. Além disso, a tecnologia tem sido uma aliada crucial: aplicativos que permitem aos consumidores encontrar sorveterias próximas, avaliar sabores ou até mesmo comprar online estão ganhando espaço, facilitando o acesso a produtos de nicho.

Por fim, o futuro do *consumo de sorvete* no Brasil parece estar ligado à capacidade das marcas de se reinventarem. Enquanto o volume total pode continuar em retração, o valor agregado e a experiência de consumo são os novos pilares do setor. Para os consumidores, isso significa mais opções, desde o sorvete econômico e sustentável até o premium e cheio de surpresas gastronômicas. Uma coisa é certa: o sorvete deixou de ser apenas um produto de verão para se tornar um reflexo das transformações sociais, econômicas e ambientais do país.

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