Negócios

Varejo alimentar enfrenta agosto difícil: veja os impactos

18 de setembro de 2026 · Kadu Mendes · 6 mins de leitura

O varejo alimentar enfrentou em agosto de 2026 o seu período mais desafiador do ano até o momento. Conforme dados revelados pelo Radar Scanntech, o setor apresentou um cenário de estagnação no faturamento. Enquanto o valor total cresceu apenas 0,9%, houve uma retração significativa de 3,1% nas unidades vendidas. Este comportamento reflete uma mudança clara nas prioridades dos consumidores brasileiros nas gôndolas.

varejo alimentar - foto
varejo alimentar – foto

É fundamental analisar que este resultado foi sustentado, em grande parte, por um aumento de 4,2% no preço médio por unidade. Sem esse reajuste, o cenário de volume seria ainda mais preocupante para os varejistas. Ademais, o volume total comercializado recuou 2,4% no período, evidenciando uma pressão real sobre o poder de compra. O acumulado do ano, de janeiro a agosto, mostra um crescimento de 2,2% no faturamento, mas com queda de 1,4% nas unidades.

Entendendo a queda no varejo alimentar em agosto

A queda no volume de vendas no varejo alimentar possui causas específicas identificadas pelos especialistas. Um dos fatores principais foi a redução de 3,0% no fluxo de clientes dentro das lojas. Esse fenômeno, por sua vez, está diretamente ligado a um efeito de calendário que prejudicou o desempenho mensal. Em agosto de 2025, o mês terminou em um domingo, favorecendo o recebimento de salários antes do final de semana.

Por outro lado, o mês de agosto de 2026 não contou com esse benefício temporal para o varejo. Além disso, o calendário deste ano apresentou apenas quatro sextas-feiras, contra cinco registradas no ano anterior. Essa configuração impactou diretamente a entrada de recursos e o comportamento de consumo. Portanto, a perda de fluxo explica praticamente toda a retração observada nas unidades vendidas durante o mês.

Fatores que impactaram o consumo

Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech, destaca pontos cruciais sobre essa retração. Segundo ele, a queda de unidades se aprofundou devido a dois vetores principais. Primeiramente, categorias que elevaram preços acima da média do mercado contribuíram com -0,7 ponto percentual na queda. Em segundo lugar, os produtos afetados pela onda de saudabilidade pesaram -2,2 pontos percentuais.

Somados, esses dois fatores explicam quase a totalidade da retração de 3,1% observada no varejo alimentar. É interessante notar que o fator de saudabilidade, sozinho, pesou três vezes mais do que o ajuste de preços. Isso demonstra que o consumidor está seletivo não apenas pelo custo, mas também pela composição dos produtos. Desta forma, as escolhas estão mais criteriosas e alinhadas a novos hábitos alimentares.

Desempenho por categorias no varejo alimentar

Analisando as cestas de produtos, notamos que o setor de Limpeza liderou o crescimento do faturamento com alta de 4,7%. Esse resultado foi impulsionado por um aumento de 6,2% no preço médio, apesar da queda de 1,4% nas unidades. Dentro desta categoria, o Detergente Líquido teve um papel de destaque, com faturamento 10,4% maior. Além disso, o Saco para Lixo teve um salto expressivo de 20,2% no faturamento mensal.

Já a categoria de Perecíveis apresentou um crescimento de 3,1% no faturamento total. Este avanço foi puxado principalmente por itens como Bovino in natura, que subiu 13,5%, além de Legumes e Queijos. No entanto, houve uma desaceleração clara em relação ao mês anterior. Em julho, tanto Perecíveis quanto Bebidas cresceram 4,4%, sinalizando que os reajustes de preços foram mais contidos em agosto.

O cenário da Mercearia Básica

Por outro lado, a Mercearia Básica consolidou-se como a principal detratora do varejo alimentar no período. A categoria registrou uma queda de 7,3% no faturamento, sendo a única a sofrer recuo simultâneo de preço e volume. Isso ocorre devido a uma base de comparação elevada, especialmente em commodities que sofreram forte inflação entre 2020 e 2025. Produtos como Óleo, Açúcar e Café registraram quedas expressivas de faturamento.

Ademais, a Mercearia geral também entrou em terreno negativo, com queda de 0,9% em valor. A alta de 3,5% no preço médio não foi suficiente para cobrir a queda de 4,3% nas unidades. Biscoitos lideraram as perdas neste segmento específico. Em contrapartida, a categoria Pet foi a única a crescer em unidades, subindo 4,0%, mesmo com a redução nos preços médios.

Inflação e comportamento de preços no setor

A Inflação Scanntech, que monitora o custo real da cesta, registrou alta de 0,05% em agosto frente a julho. Embora pareça um valor baixo, ele reverteu a deflação observada no mês anterior. No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 3,51%. Este indicador está abaixo do aumento do preço médio, devido ao efeito do mix de compras feito pelos clientes.

A cesta básica, por sua vez, voltou a subir no acumulado anual, registrando 1,28%. Bovinos, feijão, leite UHT e batatas foram os itens que mais pressionaram esse índice. Contudo, na variação mensal, o Limão disparou 58,7%, enquanto o Arroz subiu 5,0%. Em contrapartida, itens como Batata e Cebola apresentaram pressões deflacionárias significativas, aliviando parcialmente o orçamento das famílias brasileiras.

Promoções e eficiência operacional nas lojas

O peso das promoções no varejo alimentar subiu para 26,2% dos produtos embalados. Observou-se uma estratégia de colocar mais itens em oferta, por períodos mais longos e com descontos maiores. No entanto, o retorno obtido, conhecido como uplift, caiu para 56,0%. Isso indica que as promoções estão perdendo eficácia, especialmente em formatos como Atacarejo e Super 10+.

Por outro lado, indicadores operacionais trouxeram boas notícias. A ruptura, que mede a falta de produtos nas prateleiras, recuou para 4,7%, o menor patamar em nove meses. Entretanto, a não venda subiu para 11,4%. Isso significa que, embora o produto esteja disponível, ele não está girando no ritmo esperado. Consequentemente, o estoque médio chegou a 43 dias, um desafio para a gestão de sortimento.

Portanto, a recomendação atual para o setor é focar na execução de loja. Não basta apenas garantir a reposição dos itens; é preciso entender o que o consumidor realmente deseja levar para casa. Conforme aponta Felipe Passarelli, a oportunidade reside no giro e na seleção criteriosa de produtos. Para saber mais sobre como o mercado de bebidas e o lifestyle impactam essas tendências, visite o portal brejada.com. Para mais detalhes sobre dados específicos, consulte este relatório detalhado.

Mais sobre varejo alimentar

Quem acompanha o setor sabe que varejo alimentar segue entre os temas mais comentados, e a tendência deve continuar nos próximos meses. Profissionais do segmento apontam que o interesse do público só aumenta, e as expectativas para o futuro são cada vez mais positivas.

O que esperar de varejo alimentar

Com o crescimento do interesse por varejo alimentar, consumidores e especialistas esperam novidades cada vez mais relevantes. O mercado não para de evoluir e traz surpresas agradáveis para quem acompanha de perto as tendências do setor.

Leia também

/ Leia tambem