
Saiba como a dor no pescoço pode começar na sua boca

Dor no pescoço e incômodos constantes nas costas podem ter uma origem surpreendente na saúde da sua boca. Primeiramente, muitas pessoas sofrem com esses sintomas por anos sem encontrar uma solução definitiva para o problema. Por isso, a investigação clínica deve abranger a articulação temporomandibular e o alinhamento dos dentes.

Com efeito, a relação entre a oclusão dental e a postura corporal é amplamente estudada por especialistas da saúde. Além disso, pesquisas científicas demonstram como alterações na mordida geram compensações musculares severas em toda a coluna. Por exemplo, um estudo relevante sobre o tema está disponível neste artigo científico detalhado.
Ademais, um ensaio clínico com sessenta adultos sofrendo de disfunção temporomandibular trouxe dados muito animadores sobre essa correlação. Esse estudo, originalmente publicado na revista BioMed Research International, avaliou o impacto do uso de placas oclusais. Desta forma, os pesquisadores analisaram pacientes com dores cervicais crônicas durante o período noturno.
Posteriormente, os resultados mostraram que o uso da placa por três meses reduziu drasticamente as queixas de dor. Em resumo, a presença de dor cervical caiu de 39% para apenas 8% no grupo que recebeu tratamento. Portanto, fica evidente que o equilíbrio bucal interfere diretamente no bem-estar físico de todo o corpo humano.
Como evitar a dor no pescoço cuidando da boca
Para compreender essa relação, precisamos analisar a anatomia integrada do nosso crânio com a região cervical. De acordo com o cirurgião-dentista Marcelo Kyrillos, da clínica Ateliê Oral, esses sistemas funcionam de forma totalmente unida. Por isso, qualquer alteração na mandíbula pode sobrecarregar os músculos do pescoço de forma contínua.
Quando a mordida está desalinhada, a musculatura mastigatória passa a trabalhar de maneira muito assimétrica e prejudicial. Consequentemente, o corpo tenta compensar esse desequilíbrio projetando a cabeça para a frente de forma involuntária. Assim, essa alteração postural gera uma tensão constante que resulta em dor no pescoço crônica.
Outro fator crítico é o bruxismo, que pressiona as articulações e tensiona os músculos da face. Com isso, os ombros são elevados e o tônus do músculo trapézio sofre uma alteração bastante significativa. Desta forma, o paciente desenvolve um quadro de dor persistente que afeta sua qualidade de vida diária.
Por outro lado, muitos pacientes passam anos realizando tratamentos fisioterápicos repetidos sem obter uma cura real. Entretanto, esses procedimentos médicos oferecem apenas alívios parciais e temporários para as dores na coluna e pescoço. Nesses casos, a hipótese de uma disfunção orofacial ganha muita força entre os profissionais de saúde.
A integração entre crânio, coluna e mandíbula
Muitos indivíduos chegam aos consultórios odontológicos após passarem por ortopedistas, neurologistas e também otorrinolaringologistas experientes. Todavia, esses médicos nem sempre conseguem identificar a causa física exata das dores na coluna do paciente. Por essa razão, a avaliação funcional da oclusão dentária torna-se um passo fundamental no diagnóstico.
Certamente, o objetivo principal não é simplesmente substituir uma causa médica por outra de origem puramente odontológica. O intuito real é ampliar o olhar clínico sobre o complexo sistema que une crânio, pescoço e mandíbula. Afinal, essa região é integrada por músculos potentes, articulações complexas e diversas vias neurais importantes.
O caso real que relaciona dor no pescoço e mordida
A história da empresária e agrônoma Lucimar Candido, de 53 anos, ilustra perfeitamente essa complexa relação física. Durante dez longos anos, ela conviveu diariamente com uma forte dor no pescoço, na mandíbula e nas costas. Em algumas crises intensas, sua coluna travava completamente, impedindo qualquer tipo de movimento simples.
Por causa disso, ela precisava recorrer constantemente a medicações fortes para conseguir controlar o sofrimento diário. Inclusive, um ortopedista chegou a afirmar que ela não deveria sequer conseguir movimentar os seus braços. Essa frase marcante ocorreu logo após o diagnóstico de uma hérnia de disco bastante grave na coluna.
No entanto, a grande reviravolta na saúde de Lucimar aconteceu quando ela decidiu buscar ajuda de um dentista. Originalmente, a empresária apresentava queixas severas de dores na região facial que a incomodavam bastante no cotidiano. Na clínica, os especialistas descobriram uma descompensação muito significativa entre as suas arcadas dentárias superiores e inferiores.
Essa grave desarmonia era causada principalmente pela perda de dentes ao longo dos anos de sua vida. Além disso, a paciente apresentava o maxilar e a mandíbula posicionados de forma muito recuada na face. Com isso, sua mordida estava totalmente comprometida, gerando um desequilíbrio postural severo em toda a sua coluna.
O processo de reabilitação e o fim das dores
Para solucionar o caso complexo de Lucimar, os dentistas planejaram uma ampla correção esquelética e também oclusal. Primeiramente, foram instalados implantes dentários para repor os elementos que faltavam na sua arcada inferior. Esses implantes serviram como uma ancoragem essencial para dar suporte e estabilidade à nova mordida da paciente.
Posteriormente, a empresária passou por uma cirurgia para reposicionar de forma correta os ossos de sua face. Esse procedimento cirúrgico foi fundamental para corrigir a desarmonia esquelética que afetava diretamente a sua articulação temporomandibular. Em seguida, a equipe iniciou a reabilitação completa de sua função mastigatória através de técnicas modernas.
Ao todo, o tratamento multidisciplinar durou cerca de um ano dentro da clínica odontológica especializada em São Paulo. Como resultado, todos os procedimentos realizados eliminaram por completo a sua terrível dor no pescoço e nas costas. Atualmente, Lucimar relata com muita alegria que a sua dor física tornou-se totalmente imperceptível no dia a dia.
Sintomas comuns de dor no pescoço de origem bucal
O cirurgião-dentista Marcelo Kyrillos aponta diversos sinais importantes que ajudam a identificar a relação entre boca e coluna. Primeiramente, dores de cabeça frequentes e enxaquecas constantes merecem uma atenção especial de qualquer paciente. Esses sintomas costumam piorar bastante quando a pessoa mastiga alimentos, fala por muito tempo ou boceja.
Além do mais, a presença de estalos ou dores ao abrir a boca indica problemas na articulação temporomandibular. Outro sinal comum é a rigidez constante sentida na região do trapézio, do pescoço e dos ombros. Por isso, pacientes com esses sintomas devem buscar uma avaliação odontológica detalhada o quanto antes.
Da mesma forma, desconfortos na região lombar sem uma causa física aparente podem estar ligados à boca. Adicionalmente, uma postura visivelmente desalinhada serve como um forte alerta de que algo está errado no corpo. Por exemplo, a cabeça projetada para frente ou ombros elevados indicam compensações musculares severas e contínuas.
Por fim, um histórico longo de tratamentos para a coluna sem resultados duradouros é um forte indício. Nesses casos, o alívio temporário mostra que a verdadeira causa do problema ainda não foi devidamente tratada. Portanto, a investigação da saúde bucal torna-se indispensável para quem sofre com essa persistente dor no pescoço.
Tratamentos para dor no pescoço causados pela ATM
Existem diversas abordagens terapêuticas eficazes para tratar os desequilíbrios que causam a dor no pescoço crônica. Em primeiro lugar, o restabelecimento da estrutura adequada da mordida é o principal objetivo do cirurgião-dentista. Para isso, o profissional pode recomendar o uso de aparelhos ortodônticos modernos para alinhar os dentes.
Outra opção muito comum é a reabilitação oral, que restaura dentes desgastados ou danificados pelo bruxismo severo. Além disso, a implantodontia desempenha um papel crucial ao recuperar pontos de apoio essenciais na mastigação diária. Com isso, restabelece-se o equilíbrio oclusal necessário para aliviar a pressão muscular exercida sobre a coluna.
Em casos mais complexos, a cirurgia ortognática pode ser indicada para corrigir a base esquelética da face. Esse procedimento cirúrgico corrige a má oclusão e elimina de vez a sobrecarga na articulação temporomandibular. Posteriormente, tratamentos na área de periodontia também podem ser integrados para garantir a saúde dos tecidos bucais.
A importância do acompanhamento multidisciplinar
Entretanto, o sucesso do tratamento depende frequentemente de uma abordagem multidisciplinar e integrada com outros profissionais de saúde. Por esse motivo, Marcelo Kyrillos recomenda associar os cuidados odontológicos a sessões regulares de fisioterapia cérvico-craniomandibular. Essa especialidade fisioterápica atua diretamente no relaxamento dos músculos afetados pela tensão da articulação temporomandibular.
Ademais, o acompanhamento com profissionais de fonoaudiologia pode ser extremamente benéfico para reabilitar as funções de mastigação. Esses terapeutas auxiliam o paciente a readequar os movimentos musculares da face e da língua durante a fala. Assim, evitam-se novas compensações posturais nocivas que poderiam fazer retornar a incômoda dor no pescoço.
A importância de tratar a dor no pescoço com dentistas
Em resumo, a conexão entre a saúde bucal e a postura corporal não deve ser ignorada pelos pacientes. Muitas vezes, a solução para uma dor crônica nas costas está no consultório de um cirurgião-dentista qualificado. Por isso, expandir os horizontes médicos e buscar diagnósticos integrados é o melhor caminho para a cura.
Desta forma, se você sofre com dores persistentes na coluna, considere realizar uma avaliação funcional da sua mordida. Afinal, cuidar da saúde dos seus dentes é também uma maneira eficaz de proteger toda a sua coluna. Para acompanhar mais novidades sobre saúde, bem-estar e estilo de vida, continue acessando o portal Brejada.
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