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CRN-3 reforça o papel do apoio ao aleitamento materno

26 de agosto de 2026 · Kadu Mendes · 10 mins de leitura

Aleitamento materno é a base para o desenvolvimento infantil saudável e uma das estratégias de saúde pública mais determinantes para o bem-estar de mães e bebês em todo o mundo. Em alusão ao movimento Agosto Dourado, o Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região (CRN-3), autoridade que abrange a regulação e fiscalização nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, lançou uma ampla e representativa campanha voltada à conscientização populacional sobre os imensos benefícios da amamentação. A iniciativa visa não apenas prestar orientação técnica sobre o tema, mas também alcançar de maneira efetiva os grupos populacionais que se encontram em condições de maior vulnerabilidade social. O leite materno é reconhecido universalmente como a primeira e mais completa fonte de nutrição da vida humana, fornecendo todos os nutrientes essenciais para o crescimento físico, neurológico e imunológico do recém-nascido, prevenindo infecções, alergias e diversas complicações de saúde no curto e longo prazo. Como a alimentação e a nutrição constituem o cerne absoluto da atuação do nutricionista, este profissional se firma como uma peça-chave e indispensável na promoção, proteção e apoio continuado a esse ciclo vital.

aleitamento materno - foto
aleitamento materno – foto

A campanha elaborada pelo conselho profissional desdobra-se em variadas frentes de comunicação integradas com o objetivo de democratizar o acesso à informação de qualidade e combater a desinformação. O ecossistema de divulgação inclui a distribuição direta de materiais explicativos e educativos em Unidades Básicas de Saúde (UBS), a veiculação de conteúdos dinâmicos para plataformas e redes sociais digitais, vídeos explicativos no YouTube e forte presença na imprensa tradicional e especializada. A presidente do CRN-3, a nutricionista Dra. Andréa Esquivel, ressalta com propriedade que o foco central da ação reside no diálogo direto com a sociedade civil. Ela salienta que levar esse conhecimento de forma didática e acessível às camadas mais vulneráveis é uma obrigação institucional para garantir a proteção social e evidenciar a relevância técnica do nutricionista na construção de hábitos de vida saudáveis desde os primeiros instantes de existência.

A importância do aleitamento materno e o impacto do Agosto Dourado

O movimento Agosto Dourado simboliza a luta pelo incentivo à amamentação e enfatiza que a nutrição infantil deve ser tratada como prioridade coletiva. Segundo os posicionamentos defendidos pela Dra. Andréa Esquivel, a prática de amamentar não pode e não deve ser encarada unicamente como uma responsabilidade isolada da mulher que deu à luz. Embora a escolha e a vivência do ato sejam direitos fundamentais e corporais da mãe, o sucesso desse processo depende intrinsecamente de uma rede de suporte sólida e articulada. A mulher necessita encontrar ambientes favoráveis e acolhedores no seio familiar, na comunidade, nos sistemas de saúde públicos e privados, assim como nos espaços corporativos de trabalho. Sem essa sustentação multidisciplinar e social, o desafio de manter a amamentação torna-se desproporcionalmente doloroso e propenso ao desmame precoce.

Para que as mães consigam vivenciar essa jornada com dignidade, segurança e tranquilidade, o conhecimento e a garantia dos seus direitos trabalhistas e sociais representam passos cruciais. Legislações que asseguram pausas para amamentação no expediente de trabalho, licença-maternidade adequada e a presença de salas de apoio à amamentação nas empresas são aspectos determinantes para a sustentabilidade da prática. A Dra. Andréa Esquivel reitera que o CRN-3 atua ativamente para esclarecer a população sobre tais direitos, fortalecendo a figura da mãe para que ela possa exigir o respeito às suas necessidades biológicas e emocionais. O acolhimento no ambiente laboral e o respaldo familiar reduzem os índices de estresse e ansiedade, fatores diretamente associados ao sucesso da lactação e à longevidade do aleitamento.

O acompanhamento nutricional especializado na prática do aleitamento materno

A trajetória da amamentação pode ser substancialmente aprimorada quando conta com a orientação técnica de um profissional de nutrição desde os momentos que antecedem a concepção. De acordo com os esclarecimentos prestados pela Dra. Daniela Gallego, conselheira do CRN-3, mestre em Nutrição do Nascimento à Adolescência, diretora do Departamento Científico do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF) e supervisora de Nutrição Clínica do Hospital Santa Tereza em Campinas (SP), a intervenção nutricional deve ter início no planejamento pré-gestacional. Esse cuidado proativo estende-se ao longo de todo o pré-natal, prossegue no momento do parto e consolida-se nas fases de pós-parto e lactação, oferecendo uma linha contínua de suporte técnico e emocional.

Nesse percurso integral de acompanhamento, o nutricionista atua em diversas frentes cruciais para a mãe e o bebê. O profissional orienta sobre a fisiologia e os múltiplos benefícios do leite para a criança, elabora planos alimentares adequados para garantir o aporte energético e de micronutrientes da mãe e calcula a hidratação exata exigida pelo corpo durante a lactação. Além disso, o nutricionista ensina técnicas corretas de pega e posicionamento no peito, orienta sobre a prevenção e tratamento de intercorrências mamilares e instrui a mulher sobre as normas corretas de coleta, extração, armazenamento e manipulação segura do leite humano. Para quem busca referências e diretrizes oficiais sobre doação e manejo de leite humano, vale a pena consultar a rede oficial disponível na Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, que serve de apoio fundamental nesse ecossistema.

Outro ponto vital sublinhado pela Dra. Daniela Gallego é o conceito da chamada “golden hour” — ou a primeira hora de vida do bebê. Esse primeiro contato pele a pele entre a mãe e o recém-nascido, imediatamente após o parto no centro obstétrico, é um fator determinante para o sucesso da amamentação a longo prazo. Estimular a sucção do peito ainda nos primeiros sessenta minutos estimula a produção hormonal da mãe e favorece o vínculo afetivo. Ao longo da fase de lactação, a recomendação profissional enfatiza a estruturação de um padrão alimentar qualitativo, priorizando a ingestão de alimentos in natura e minimamente processados, evitando produtos ultraprocessados. A suplementação nutricional de vitaminas e minerais também desempenha papel importante, mas deve obrigatoriamente ser individualizada e prescrita por profissional habilitado após criteriosa avaliação clínica.

Desmistificando mitos populares sobre a nutrição e o aleitamento materno

Um dos grandes obstáculos enfrentados por lactantes ao longo de sua jornada é a sobrecarga de informações desencontradas e crenças populares consolidadas culturalmente, que acabam por gerar insegurança, ansiedade e tomada de decisões inadequadas. A Dra. Daniela Gallego pontua que a intervenção do nutricionista é essencial para desmistificar conceitos equivocados que circulam com frequência na sociedade. Entre os mitos mais difundidos está a ideia de que determinados alimentos consumidos pela mãe necessariamente causam cólicas no recém-nascido, ou a falsa crença de que existiria um “leite materno fraco”, incapaz de sustentar o crescimento da criança. A ciência e a prática clínica comprovam rigorosamente que o leite materno é nutricionalmente completo, perfeito e dinâmico, ajustando sua composição biológica conforme as necessidades de desenvolvimento do bebê em cada etapa de sua vida.

No contexto da cultura popular e até mesmo entre apreciadores do universo gastronômico e cervejeiro — tema frequentemente debatido no universo do lifestyle —, persistiram ao longo das décadas mitos como a afirmação de que o consumo de canjica ou de cerveja preta teria a capacidade de aumentar a produção de leite na mulher. A especialista do CRN-3 desmente categoricamente esse mito: o consumo de bebidas alcoólicas é totalmente contraindicado na amamentação, e a produção de leite depende fundamentalmente da hidratação adequada, da nutrição equilibrada e do estímulo frequente de sucção da criança no peito. A presença de dificuldades reais como pega incorreta, dores físicas, fissuras nas mamas, percepção equivocada de baixa produção de leite, somados ao estresse cotidiano e à introdução precoce de mamadeiras, bicos artificiais e chupetas, são os verdadeiros vilões que comprometem o sucesso do aleitamento.

Estatísticas do ENANI e os desafios para o aleitamento materno no Brasil

A análise de dados epidemiológicos recentes permite traçar um panorama claro das conquistas e dos gargalos relacionados à saúde da mulher e da infância no território nacional. Conforme demonstrado pelos indicadores do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), o Brasil registrou importantes avanços históricos: cerca de 96,2% das crianças com menos de dois anos de idade foram amamentadas ao menos uma vez ao longo da vida. Adicionalmente, 62,4% dos recém-nascidos tiveram a oportunidade de receber o leite materno ainda na primeira hora de nascimento. Entretanto, quando se analisa o tempo de permanência e a exclusividade da prática, os números revelam a urgência de fortalecimento das políticas públicas: a taxa de aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida atinge 45,8%, enquanto o índice de continuidade da amamentação aos 24 meses se fixa em 35,5%.

Os dados estatísticos compilados pelo estudo revelam ainda que existem expressivas disparidades regionais e desigualdades socioeconômicas no comportamento das taxas de amamentação pelas diferentes macrorregiões do país. Para superar esses abismos e garantir que todas as mulheres tenham suporte equitativo, torna-se imprescindível a ampliação sistemática de redes de apoio estruturadas, capacitação continuada de profissionais de saúde, adaptações nos ambientes de trabalho e consolidação de políticas públicas protetivas. O esforço conjunto entre sociedade civil, empregadores, familiares e órgãos de classe como o CRN-3 é o único caminho capaz de sustentar o aleitamento materno em longo prazo. Para acompanhar outras novidades sobre lifestyle, nutrição, ciência e curiosidades sobre o universo das bebidas, navegue e confira os conteúdos exclusivos disponíveis no brejada.com.

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