Cervejas Especiais no contexto nacional: passado, presente e futuro

Sumário

Este trabalho foi realizado pelos os seguintes alunos do curso Mestre em Estilos do Instituto da Cerveja do Brasil:

Aline Dias Garcia, Cristiano Alves Leite, Edmundo Escrivão Neto, Guilherme Ferreira Cintra de Barros, Jacqueline Capela Guigon, Marcus Vinicius Faturi Dapper, Nadine Reis e Paulo Pinheiro Fornazza

Introdução 

Dialogar sobre cerveja no Brasil é um desafio. Por mais que discussões sobre o nossoCraft Beer Revolution seja assunto mais recente, ela possui um papel tradicional e extremamente pertinente para nossa cultura e economia. Sabemos que, historicamente, a cerveja tem sua importância desde à antiguidade, e aparece com um alto consumo tanto por homens, mulheres e crianças. E pensando no caso brasileiro, são inúmeros os temas que englobam nosso cenário cervejeiro, seja no passado, presente e futuro.

Se atentarmos, por exemplo, para pesquisas arqueológicas relacionadas à população indígena brasileira, vemos uma presença marcante dessa bebida fermentada. Destacando o artigo do Prof. Dr. Fernando Ozório de Almeida (A Arqueologia dos fermentados: a etílica história dos Tupi-Guarani) percebemos que há um habitual consumo de cerveja nas sociedades indígenas amazônicas. E apesar de ser um assunto pouco aprofundado na Arqueologia brasileira, é notória as representações de cotidiano e eventos festivos com a participação da cerveja, através de estudos de cerâmicas arqueológicas. “O cauim, como era conhecida a cerveja dos grupos Tupi-Guarani, era feito à base de mandioca (doce ou amarga) ou milho, podendo receber ingredientes extras, como mel ou frutas, para aumentar os teores de açúcar e, por consequência, de álcool.” (ALMEIDA, Fernando Ozorio de).

Pensar nessas questões do passado e suas influências, assim como nossa situação cervejeira atual e o promissor futuro que podemos ter, no intuito de mapear o campo nacional é a intenção deste trabalho. Trazer discussões e apontamentos importantes através de exemplos históricos, visão mercadológica e de nossos produtos atuais, além de citações de pesquisas e bate-papos com nomes relevantes do nosso meio cervejeiro.

Cheers!

 A construção do paladar cervejeiro no Brasil

 Panorama histórico da produção e consumo das cervejas no Brasil

Com o domínio das grandes cervejarias e a guerra pela fatia do mercado cada vez maior, além da “ditadura” das ditas “Pilsens” (Standart Lager), surgem as chamadas cervejas especiais, na qual, a cervejaria propõe estilos novos, com perfis sensoriais mais complexos e experiências gastronômicas diferenciadas. Com o mercado menor que 1% de cervejas especiais, existem um pouco mais que 200 cervejarias, concentradas principalmente no Sul e Sudeste. Mas como começaram as cervejas no Brasil? Qual a primeira cerveja em território brasileiro? Quais as primeiras grandes e micros cervejarias no Brasil?

Antes mesmo de formado o território chamado Brasil, se tinha uma cerveja primitiva feita de milho pelos índios de várias aldeias e etnias. A produção consistia em mastigar o milho e depois cuspi-lo em potes. Essa tarefa era executada pelas mulheres, onde a partir do pré cozido o milho, elas o mastigavam e assim as enzimas da saliva transformava o amido em açúcares fermentescíveis (mesmo princípio usado nas rampas de temperatura da mosturação). Depois era colocado para cozinhar e finalmente colocado em potes para fermentar. Índios de algumas regiões chamavam de “Cauym” e os povos andinos chamavam de “Chicha”. O “Cauym” era largamente consumido em festas; o milho e mandioca eram extremamente abundantes, fazendo cerveja o ano todo. “Nem o alemão, nem o flamengo, nem os soldados, nem o suíço; quer dizer, nenhum desses povos da França, que se dedicam tanto ao beber, vencerá os americanos nesta arte”.(LÉRY, J. de. Viagem à terra do Brasil, Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1980. P. 43.)

Devido à pressão e influencia portuguesa, o vinho era a bebida mais comercializada. A cerveja já era produzida, mas o seu consumo não estava generalizado, permanecendo inicialmente como uma produção caseira e típica de população imigrante. Com a abertura dos portos brasileiros a artigos de outras origens que não portuguesa, por conta da invasão das tropas de Napoleão em Portugal e a vinda da família Real para o Brasil, as cervejas inglesas começaram a chegar no Brasil.

1630:

Ocorre a ocupação holandesa em Pernambuco por Maurício Nassau, o qual trouxe consigo o cervejeiro Dirck e a planta de uma cervejaria. Esta chegou a ser montada em 1640 numa residência em Recife. O fim da ocupação holandesa em 1654 foi também o fim da cervejaria, que foi levada para a Europa. O fornecimento de matéria-prima como lúpulo e cevada sempre foi problemática no Brasil, tendo, historicamente, os cervejeiros que recorrer a outros cereais como arroz, milho, trigo etc. Assim como esses exemplos, podemos visualizar e abaixo ter uma noção cronológica de algumas influências da cerveja na História e vice-versa:

1634 – 1654: 

Colonização Holandesa – Fabricação própria (cerveja de alta fermentação).

1808 – 1869: 

Domínio de importação de cervejas inglesas, como a Porter e a Pale Ale, oriundas de Burton on Trent, menos alcoólicas do que as até então importadas em barris.

1850:

 Surgem algumas cervejarias praticamente caseiras (200 – 300 mil garrafas/ano) no Rio de Janiero, São Paulo e regiões de imigração alemã no Rio Grande do Sul. Exemplos: Henrique Leiden, Villas Boas e Cia, Cervejas Gabel, Logus, Versoso, Stampa, Rosa, Leal e outros.

1870 – 1904: 

Domínio de importação de cervejas alemãs que vinham em garrafas, de baixa fermentação (da Baviera e da Boêmia). Clara, límpida, conservado-se melhor e correspondendo mais ao paladar da época.

1904:

 O governo quadruplicou os impostos de importação, dificultando a importação das cervejas alemãs.

A partir de 1904: 

A produção nacional ganha força e domina o mercado. Essa produção dá origem às grandes cervejarias e com produção quase exclusiva do estilo Standart Lager.

A partir de 1994: 

Com o surgimento da Dado Bier e ano seguinte a Colorado, o cenário de microcervejarias ganha força, influenciado pelo movimento Craft Beer dos EUA, com a proposta de cervejas saborosas e com personalidade, algumas vezes usando produtos brasileiros e locais.

 

– A influencia das cervejas estrangeiras no país

Vimos acima que devido à pressão e influencia portuguesa, o vinho era a bebida mais comercializada no Brasil Colônia. Exceção a este cenário eram as produções artesanais de imigrantes e a cervejaria montada em Recife durante a ocupação holandesa (1634 – 1654).

Ainda no século XVII as bebidas mais consumidas eram o vinho e a cachaça. Mas com a chegada da família Real ao Brasil por conta da invasão francesa em Portugal pelas tropas de Bonaparte, em 1808, D. João, que era um apreciador de cervejas, chegou ao Brasil com vários tonéis da bebida.

Com a abertura dos portos brasileiros às nações amigas e alguns tratados que beneficiaram a importação de produtos da Inglaterra, esta passa a monopolizar o comércio com o Brasil, o que fez com que a cerveja consumida por aqui, de qualquer origem, fosse introduzida exclusivamente pela Inglaterra.

Finalmente em 1836 a primeira propaganda de uma cerveja fabricada no Brasil, no Rio de Janeiro, publicada no “Jornal do Comercio”. Com a imigração de europeus ao Brasil, estes começaram a utilizar a mão de obra livre e escrava para produção de cervejas, em escalas pequenas. O Alemão Georg Heinrich Ritter instalou em 1846 a sua pequena fabrica na cidade de Nova Petrópolis (RS).

Nessa época, não havia mapeamento ou registro preciso das cervejas e cervejarias existentes, em razão do baixo índice de identificadão, seja por parte de governo, seja por parte do produtor, que dificilmente realizava propaganda e rotulagem de suas garrafas.

Novas cervejarias locais foram surgindo como em Niterói e Petrópolis (RJ), Joinville (SC) e Porto Alegre (RS), além das produções caseiras, o que na época era muito comum, e que não tinham seus barris identificados. A cervejaria da “marca barbante” foi a primeira na cidade do Rio de Janeiro. Esse nome ficou conhecido por conta da cerveja ter muito gás carbônico dentro das garrafas. E por este motivo, as rolhas eram presas com barbante para não escapar.

A partir de 1850 as famílias de imigrantes intensificam a produção de cerveja e cresce a venda da bebida no comércio local. Nesse momento o Rio de Janeiro já possuía um mercado consumidor relevante, assim como São Paulo. A venda era feita no balcão e na própria cervejaria. As entregas eram feitas por carroças ao comércio dos bairros próximos.

Em 1853, o Alemão Heinrich Kremer fundou a cervejaria Bohemia, na região de Petrópolis (RJ). Não foi a primeira cervejaria no Brasil, mas é considerada a cervejaria em atividade continua mais antiga do país, apesar de ter permanecido com as suas atividades fabris paralisadas entre 1998 e 2011.

O empresário Joaquim Salles possuía um abatedouro de porcos com uma fábrica de gelo, na época ociosa. O Alemão Luis Bucher tinha uma pequena cervejaria em 1868 e despertou o interesse pela fábrica de gelo. Em 1888 surgia na associação entre os dois a Cervejaria Antarctica, sendo a primeira cervejaria a produzir Lager e a primeira a ter rótulo em todas as garrafas.

No mesmo ano, em 1888, o engenheiro suiço Joseph Villiger fundou sua própria cervejaria chamada de Manufatura de cerveja Brahma Villiger e Companhia, com 32 funcionários e uma produção de 300 mil litros/mês. Em 1904 surgiu a Companhia Cervejeira Brahma que era uma fusão de fusão da Villiger Brahma com a cervejaria Teutônia, na cidade de Mendes (RJ).

Um pouco antes, em 1880, já se encontravam nove cervejarias na cidade de Blumenau, hoje considerada a capital nacional da cerveja. Essa cultura de cerveja trazida pelos alemães locais, reproduzia a Alemanha rural, no qual, algumas mulheres faziam cerveja.

Bertoldi era um imigrante italiano que fundou na cidade de Ribeirão Preto uma sociedade com Salvadere Levi, também imigrante italiano. O ano de fundação é incerto, já que alguns registros datam em 1892, outros 1896 e ainda também em 1900. Inicialmente a produção era de licores e logo passaram a dedicar-se a cerveja. O mais importante é que esta foi a primeira cervejaria de maior porte instalada na cidade. A produção da fabrica Levi & Bertoldi era de 20 mil litros por mês e tinha cerca de 15 funcionários. A cerveja era de alta fermentação. Os nomes era bem brasileiros como “Guarany”, uma cerveja clara, doce e com pouco amargor. Enquanto a “Mulata” era “mais forte”, escura e amarga. E por fim, a “Indiana” era forte, preta e com muita espuma.

A pioneira das grandes cervejarias foi a de Friederich Christoffel, em Porto Alegre, que em 1878 produzia mais de um milhão de garrafas. Em 1911, a Antarctica abriu sua primeira filial nacional e em 1912 chegaria a Cervejaria Paulista, as duas com produção de baixa fermentação. O último ano que se tem registro da cervejaria Levi & Bertoldi foi em 1930. Assim é o início da “Capital do Chopp” como é conhecida a cidade de Ribeirão Preto (SP).

– Cronologia cervejeira e as pioneiras na produção brasileira.

         Por volta de 1900, “… a Antarctica Paulista estabeleceu um acordo com a maior cervejaria carioca, a Companhia Brahma, regulando os preços e os volumes de venda em todo o território nacional. Foi o primeiro cartel da cerveja no país, e não seria o último.”. (SANTOS, Sergio de Paula. Os primórdios da cerveja no Brasil – 2. Ed. – Cotia: Ateliê Editorial, 2004, c2003.)

A partir de 1930 tanto a Antarctica como a Brahma passaram a eliminar quase todos os concorrentes, processo na realidade iniciado em 1904 e mantido também com relação à importação das cervejas estrangeiras, graças a pressões, influências e poder das duas empresas sobre autoridades responsáveis pela política alfandegária.”.  (SANTOS, Sergio de Paula. Os primórdios da cerveja no Brasil – 2. Ed. – Cotia: Ateliê Editorial, 2004, c2003.)

Em 1935 Rupprecht começa administrar a pequena fabrica herdada pelo pai chamada Canoinhense,  fundada em 1908,  o qual, passara a fabricar novas receitas das cervejas como a “Jahu”, “Nó de Pinho”, “Mocinha”, “Malzebier” e “Porter”.

Em 1913, existiam apenas no Rio Grande do Sul, 134 cervejarias. Enquanto isso, no eixo Rio/São Paulo a Antarctica e Brahma dominavam as vendas e expandiam o mercado comprando outras cervejarias, como a Continental, Astra, Ouro Fino, Skol e Caracu.

Em 1966, é inaugurada a cervejaria Kaiser. Em 1983, a Belco. Em 1984, a Malta. Em 1987, a Krill. Em 1988, a Xingu. Em 1989, a Primo Schincariol, que até então produzia somente refrigerantes, passa também a produzir cervejas. Em 1994, surge a Cervejaria Petrópolis com o rótulo Itaipava. Em 1997, surge a Cintra. Em 2000, a Belco. Quase todas com produção dedicada a Standard Lager.

Em 1999 quando a Brahma e a Antarctica se fundiram para formar a AmBev (Companhia de Bebidas das Américas), tendo então que se desfazer da marca Bavaria, por decisão do CADE. A AmBev surgiu como a quinta maior empresa de bebidas do mundo. Em 2004, a AmBev fundiu-se com o grupo belga InterBrew, com o novo nome de InBev. Com a compra em 2008 da maior cervejaria dos Estados Unidos, a Anheuser-Bush, a companhia passou a chamar de AB-InBev, hoje a maior cervejaria do planeta.

O surgimento de cervejarias com uma nova filosofia, na qual, as receitas não seguem uma “ditadura” ou uma “moda” de estilos/receitas e sim com muita personalidade acontece no Brasil do meio para o final da década de 1990. Assim começa o movimento de micro cervejarias especiais/artesanais, muito tímidas, porém com grande influência na cultura cervejeira.

Em 1995, surge em Porto Alegre (RS), a Dado Bier, fundado pelo empresário Eduardo Bier. Inovação e empreendedorismo faz com que a Dado Bier, além de inovar, seja a primeira cervejaria de produção de cervejas especiais a envasar em latas no Brasil. Além de ser considerada a primeira microcervejaria deste novo movimento, ajudou a criar uma filosofia para as outras micros brasileiras, como a cerveja produzida com erva-mate.

De grande importância para a cultura cervejeira no Brasil foi o surgimento da importadora Bier & Wein trazendo rótulos inicialmente da Alemanha, sendo em 1993 a Warsteiner (Pilsen) e em 2001 a Erdinger (Weiss).

 tabela cervejas nacionais

A busca pelo auto (re) conhecimento da cerveja brasileira

– A cerveja e seu mercado

Terceiro maior produtor de cerveja do mundo, o Brasil produz aproximadamente 13 bilhões de litros ao ano, ficando atrás somente da China e dos Estados Unidos. Com um consumo per capita de 62 litros, o Brasil ocupa a ocupa a 17° posição neste ranking. Do ponto de vista econômico, a produção da bebida já vale 1% do PIB brasileiro, tendo assumindo uma importância cada vez maior no cenário econômico nacional, como pode ser visualizado abaixo:

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Fonte: Perfil do consumidor de cervejas especiais: Uma contribuição para o estudo do consumo nas ciências sociais. Juliana Salles Madeira

O mercado brasileiro de cervejas se caracteriza por ser altamente concentrado, apresentando grande presença de empresas multinacionais que buscavam se associar a empresas já consolidadas internamente, como foi o caso da Miller com a Brahma (1995), da Femsa com a Kaiser (2006), adquirida posteriormente pela Heineken (2010) e da Carlsberg que em 1965 lançou a Skol em território nacional pela Caracu, passando posteriormente a fazer parte do portfólio da AmBev.

Atualmente, de todas essas associações, a que tem maior influência no mercado nacional é a resultante da fusão entre Brahma e Antarctica, que gerou a AmBev posteriormente fundida à belga Interbrew (2004) e quatro anos depois associada também à Anhauser-Busch. Tais empresas dividem 98% do mercado nacional de cervejas em conjunto com o Grupo Petrópolis, Schincariol – adquirida em 2011 pela Kirin Holdings Company, mudando o nome da empresa para Brasil Kirin – e Heineken.

Participação de mercado das cervejarias brasileiras:

Participação de mercado das cervejarias brasileiras Fonte: Afebras, 2013

Fonte: Afebras, 2013

 

Diante destes números, fica clara a estratégia das grandes corporações: produção massificada. Isso fica evidente ao analisarmos o lucro trimestral de R$ 4,54 bi da AmBev (VALOR, 2015) contra o faturamento anual da Colorado de R$ 18 milhões (G1, 2015).

Obviamente isso ocorre pelo alto poder de negociação, distribuição e estratégias de marketing que são maiores nas grandes corporações do que nas cervejarias artesanais.

Por outro lado, as cervejarias artesanais possuem uma grande preocupação com a qualidade do produto oferecido ao consumidor e buscam oferecer uma mercadoria diferente daquela que é produzida em massa.

Segundo relatório do MAPA – Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – em 2013, estavam registradas 232 cervejarias. Hoje são estimadas em torno de 350. Isso demonstra uma clara mudança de postura por parte do produtor, visando alcançar um padrão de consumo em evolução, onde o cliente busca experimentar os novos sabores oferecidos por estas microcervejarias.

         Além disso, percebemos uma alteração no perfil dos consumidores, cada vez mais exigentes e em busca de experiências diferentes.

Percebendo isto, as grandes empresas do setor começaram a fazer movimentações de compra das microcervejarias. O primeiro exemplo deste movimento foi a compra da Baden Baden e da Eisenbahn pela Schincariol, em 2007 e 2008, respectivamente. Nesses casos foi feito um grande esforço para que não tivesse nenhum tipo de vínculo entre os nomes das marcas.

Recentemente, outra microcervejaria que vinha ganhando destaque no setor também foi comprada, só que dessa vez pela gigante AmBev: a Wäls, uma microcervejaria mineira ganhadora de diversos prêmios nacionais e internacionais. Porém, diferente da prática usual de fechar a concorrência, a AmBev assumiu uma postura parecida com a da Schincariol (hoje Brasil Kirin), não alterando (pelo menos no primeiro momento) o portfólio da marca artesanal. Além da compra de cervejarias menores, a AmBev vem apostando também em uma maior variedade de cervejas oferecidas pela marca Bohemia.

Outro exemplo mais recente, foi o caso da Colorado, gerando revolta por parte dos consumidores, assim como no caso da Wals, que vêm a ‘parceria’ com a AmBev como uma traição à Revolução Cervejeira.

Porém, não há como não levar em conta os benefícios que a fusão traz para as microcervejarias.  Para a Wäls, que passa a ter um maior acesso a tecnologia de produção, ampliará sua rede de distribuição, além de que a fusão também acaba por facilitar o processo de exportação e instalação de uma fábrica nos EUA, planos que já haviam sido anunciados anteriormente à compra.

No caso da Colorado é a possibilidade de dobrar a produção da cervejaria e ampliar as exportações para outros países além dos Estados Unidos, França e Suíça. Olhando friamente para estas aquisições o processo aparenta ser bom para os dois lados: a AmBev se apropria de uma parcela de mercado e as pequenas têm uma chance de crescer. Então por que o consumidor não aprova essa parceria?

Segundo Juliana Salles Madeira, há visões divididas. Uma parcela acredita que estas aquisições vão minar o crescimento da cultura cervejeira, diminuir a qualidade dos rótulos adquiridos com alto uso de aditivos de cereais não maltados, como milho e arroz, ou com o uso de corantes e conservantes. Outra parcela vê neste processo algo positivo para as microcervejarias e para o consumidor, principalmente se houver uma queda nos preços.  Há ainda aqueles que acreditam que só saberemos o resultado deste processo daqui alguns anos.

 

O Brasil diante do cenário latino americano

 

Estamos sempre fazendo comparações do Brasil com países europeus ou com os Estados Unidos, verdadeiras potências cervejeiras. Porém, em um levantamento feito no site da Brewers Association, podemos perceber como o Brasil está muito a frente dos outros países latino americanos quando se fala em microcervejarias. O número de registros brasileiros por lá é de 268, contra 96 da Argentina, a segunda colocada.

cervejarias beer advocate

 

Esses dados nos fazem pensar que temos potencial para ser  uma escola cervejeira no futuro. Obviamente, enquanto comparado aos demais países cervejeiros, nosso mercado ainda seja pequeno, mas é certo que temos um futuro promissor.

De acordo com as recentes necessidades do mercado, houve a criação de duas entidades importantes para a cerveja artesanal no Brasil

  • ABRACERVA (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal)


Fundada em Março de 2014, a ABRACERVA tem como objetivo principal reunir as pequenos produtores do Brasil e atualmente foca na luta pela inclusão de microcervejarias no Simples Nacional.

  • APACERVA (Associação Paulista de Cerveja Artesanal)


A APACERVA é uma entidade civil sem fins lucrativos fundada em 26 de Maio de 2015. A associação tem o intuito de representar micro e pequenas cervejarias, distribuidores de malte e cerveja, pontos de venda e entusiastas da cerveja artesanal no mercado cervejeiro paulista.

O objetivo é a propagação da cultura cervejeira, criar condições favoráveis ao desenvolvimento da indústria cervejeira, crescimento da indústria da cerveja artesanal, estimular os pequenos produtores e empreendedores do estado de São Paulo.

Algumas pautas importantes da APACERVA são:

– Capacitação profissional

– Linhas de crédito

– Consumo consciente

– Turismo cervejeiro        

– Tributação

O perfil do consumidor brasileiro

 

Nossa atual sociedade funciona como um “funil”, onde o consumidor de maior poder aquisitivo é uma referência para o degrau de baixo. O Brasil já representa uma importante participação nos resultados das marcas de luxo no mundo. Esse é um cenário favorável, pois abrange desde itens de alto valor agregado até a cerveja.

O consumidor brasileiro de cervejas pré avalia uma marca através do preço, da embalagem, observa os comentários de outros consumidores e busca  encontrar uma justificativa para a sua escolha. Quando não há informações suficientes, tais como: preço, comentário de outros consumidores, etc para a escolha de uma marca, uma forma de avaliação pelo consumidor é através de traços de personalidade que a embalagem transmite.

O perfil destes consumidores de cervejas especiais estão classificados como:

Bebedor social

São jovens de 18 a 24 anos, consomem 1 a 3 vezes por semana na balada ou nas saídas noturnas. Orientados pela imagem, preocupam-se em conquistar o sexo oposto e usam a cerveja como um facilitador social. Frequentam festas, boates e bares, e buscam cerveja com maior teor alcoólico e menos encorpadas, que os estimule a dançar a noite toda. Têm acesso à informação, estão online o tempo todo e são pouco orientados à família.

 

Bebedor orientado pela imagem

Bebem ao menos 1 vez por semana, não necessariamente em uma ocasião específica; são metropolitanos. São em sua maioria jovens adultos, inseguros e preocupados com a imagem que projetam. São light users, buscam uma cerveja de melhor qualidade para demonstrar conhecimento, o que pode não traduzir a realidade.  Estão preocupados em consumir cerveja que lhes dê um argumento racional para sua qualidade ou imagem. Usam as marcas como “muletas sociais”.

 

Bebedor orientado pelo ritual

Bebem mais de 3 vezes por semana principalmente em bares, restaurantes e botecos, normalmente são jovens, estudantes ou especialistas. São cultuadores de cerveja. Bebem com frequência religiosa e em grandes quantidades. Consideram qualquer ocasião ideal para tomar cerveja. Mais do que um facilitador social, a cerveja faz parte do seu meio, o consumo é quase automático.  São fiéis à sua marca preferida e se consideram entendedores do assunto.

 

Bebedor de final de semana

Bebem pelo menos 1 vez por semana, normalmente em festas. São jovens de 18 a 35 anos das classes A/B, confiantes e seguros, não usam marcas como identificadores de imagem, são intelectualizados, antenados e abertos às novas experiências. Consideram a cerveja apenas uma bebida e não se envolvem emocionalmente com a categoria. São sociáveis, consomem cerveja por conveniência e para confraternização.

Bebedor TOP

Jovens adultos que bebem no mínimo 3 vezes por semana, em casa, bares, botecos ou restaurantes. Adoram “ensinar” os amigos sobre determinadas marcas ou rótulos inéditos/caros.

São conhecedores do assunto, normalmente têm adegas e coleções impressionantes. Para esses consumidores, há uma satisfação imensa em obter cervejas exclusivas, que os outros não têm. Quanto mais raras e valiosas, mais interessados ficam esses consumidores. Por fim, esse comportamento diferente entre os grupos de consumidores, reflete diretamente na dinâmica de consumo das marcas e para isso, uma forma de mensurar a eficiência dos esforços de marketing de cada marca para cada público é através do “funil” e brand equity (força da marca).

A saída “Cigana”

Diante de inúmeras dificuldades, as cervejarias brasileiras tem achado saídas para conseguir lançar seus produtos, mesmo não possuindo um lugar fixo. Entre os maiores problemas estão a economia, os elevados custos e na maioria das vezes, falta de capital inicial para montar suas plantas.

Assim o caminho tem sido terceirizar suas produções em cervejarias consolidadas. “Este modelo tem muitas vantagens, além da viabilização da produção das cervejas, traz apoio na logística de distribuição, divulgação, administração de recursos humanos, acompanhamentos dos processos, compra de insumos, etc. E como nem tudo se resume a números e negócios, surgem também grandes parcerias para a troca de informação, conhecimentos e até cervejas colaborativas.” (Revista da Cerveja. Edição 16)

Poderíamos dizer que a produção cigana  – sem amarras – ressalta na bebida o que eles querem representar como cervejaria: “liberdade”. Seja com livre escolha de tanques cervejeiros até receitas clássicas com toques inusitados. O ano de 2015 expressa bem essa tendência de utilização de diversos ingredientes, sejam cervejarias ciganas ou não. A Japas Cervejaria e sua cerveja Wasabiru (Pale Ale com lúpulo japonês e Wasabi)  mostrou em 2014 como executar boas idéias. Em parceia com a Cervejaria Nacional, elas fizeram essa sazonal coordenada por cinco mulheres com descendência nipônica. É importante apontar que esse movimento não é tão recente. Já em 2010 – com uma Belgian Dubbel – a curitibana Ogre Beer entrou no concurso da Eisenbahn e ganhou com a São Sebá, receita que levava pimenta na composição. Atualmente a cervejaria possui seis rótulos, aumentando também pontos de vendas e prêmios.

A bebida em si e seu atual destaque e versatilidade.

         Além de influências das grandes escolas cervejeiras, a cerveja nacional começou a apresentar inovações. Pelo fato de ter influências de diversas nacionalidades, a cerveja nacional assimilou diversos estilos e não ficou presa a regras ou normas do mundo antigo. Nisso há uma semelhança com a escola americana, que inovou não somente em insumos, mas também em seu uso e adaptações dos estilos clássicos para seu paladar.

Explorar sabores locais é tendência do mercado de cerveja”, diz Cilene Saorin, sommelier de cervejas e presidente da Associação Cobracem (Associação Brasileira dos Profissionais em Cerveja e Malte). Ao usar produtos brasileiros na composição das cervejas, as empresas seguem uma tendência mundial. “Explorar o que é do Brasil, a riqueza gastronômica do país, é interessante e inteligente. Isso acontece no mundo todo e dá chance para que a cerveja Brasileira conquiste o mercado internacional”, afirma. A ousadia no uso de ingredientes locais se reflete também na ambição de crescimento.

Legislação Brasileira

Apesar da inovação e criatividade das cervejarias, ainda existem certas proibições na legislação que impõem limites nos produtos nacionais. São elas:

– Mel, frutas, flores e ervas não são permitidas em receitas de cervejas feitas no Brasil;

– A cerveja produzida no Brasil não pode conter frutas in natura, apenas suco ou extrato. Especiarias como a canela podem ser usadas como aroma;

– Mel não pode ser utilizado de forma algum pois é de origem animal. “Cervejas que já são produzidas e vendidas no Brasil que utilizem mel podem ter conseguido uma autorização da Justiça”, segundo Marlos Vicenzi.

O Ministério da Agricultura já elaborou uma instrução normativa que autoriza o uso de outros ingredientes nas formulações, e a submeteu a consulta publica para que possa ser aprovada pelo governo. Com essas mudanças, espera-se aumentar a competitividade dos produtos brasileiros frente aos importados.

 

Cervejas com um toque Brasileiro

 

*Cervejaria Colorado – 1995 – Ribeirão Preto

Colorado Appia

Estilo – Premium American Lager 4,5%ABV

Feita com fermento alemão, malte importado, lúpulo tcheco e a brasileiríssima mandioca.

 

*Cervejaria Dado Bier – 1995 – Porto Alegre (RS):

Dado Bier Ilex

Estilo – Spice/Herb/Vegetable Beer

É a primeira cerveja do mundo produzida com Ilex paraguariensis, a famosa erva-mate, e tem o aroma caracterísitico da planta.

*Cervejaria Wals – 1999 – Belo Horizonte (MG):                                                                                            

Cerveja Saison de Caipira (com mestre-cervejeiro Garrett Oliver)

Estilo – Saison

Elaborada com cana-de-açúcar entre seus principais ingredientes, possui sabor único, que lembra fundo do tacho de rapadura, aromas frutados e notas terrosas que remetem ao campo.

 

*Cervejaria Amazon – 2000 – Belém

Açaí Stout

Estilo – Dry Stout 7.5%ABV

“Apresenta aroma e sabor de café, toffee, chocolate e malte torrado. Fortificada pela energia do açaí, o mais emblemático fruto da região”.

 

*Cervejaria Bodebrown – 2009 – Curtiba (PR)

Cerveja Bodebrown Cacu Wee

Estilo – Chocolate/Cocoa Beer (Wee Heavy)

A Wee Heavy com Cacauy é a união da Escócia com um pouco da Bahia, que a principio foi batizada de Brazilian Cacau Ale. É usado cacau na receita.

*Cervejaria Way Beer – 2010 – Pinhas (PR):                                                

Cerveja da linha  Sour Me Not (Acerola, Graviola e Morango)

Estilo – American Sour Ale

É possível sentir claramente o aroma da fruta, Acerola, Graviola e Morango

Cerveja Amburana Lager

Estilo – Wood and Barrel Aged Strong Beer

Com notas de baunilha e fruta seca, ela passa por um processo de maturação dentro de um barril de Amburana cearensis, uma madeira genuinamente nacional.

 

* Cervejaria Morada Cia Etílica – 2010 – Curtiba (PR)

Cerveja Hop Arábica

Estilo – Herb and Spice Beer (Blond Ale)

É usado o grão do café verde e não torrado, o que dá uma característica típica para cerveja, com uma leve picância.

*Cervejaria Tupiniquim – 2013 – Porto Alegre

Saison de Caju

Estilo – Saison 6,8%ABV

“Uma Saison elaborada com polpa de caju e manga. Para sua fermentação foi adicionado Brettanomyces”.

 

*Cervejaria Brasiliana – 2015 – São Paulo

Madureira

Estilo – Saison 5,5%ABV

“Condimentada, com aroma frutado e suavemente azeda, a refrescante Madureira desbrava sabores na sua fermentação secundária com 150kg de Jabuticaba e tonalidade amarelo palha”.

 

Estilos Predominantes no mercado brasileiro de cervejas artesanais

Selecionamos uma amostra de 19 cervejarias: Colorado, Baden Baden, Amazon Beer, Wäls, Cevada Pura, Bier Hoff, Eisenbahn, Mistura Classica, Coruja, Bierbaum, Abadessa, Opa Beer, Schornstein, Bamberg, Gauden Bier, Bodebrown, Klein, Dama Bier e Way Beer, somando um total de 150 cervejas. Assim podemos comparar no gráfico a seguir quais são os estilos mais produzidos:

NÚMERO DE PRODUTOS POR ESTILO

Out/2015

Out/2015

Podemos reparar que ainda temos uma tendência a produzir cervejas mais refrescantes como Weiss, American Lager, Bohemian Pilsen, Witbier e uma forte presença das IPAs que vem aos poucos conquistando o mercado com os amantes de lúpulos.

 

Reconhecimento das Cervejas Brasileiras pelo Mundo

Seguem abaixo algumas cervejas medalhistas em Concursos Cervejeiros em 2014:

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Fonte:  Lista de microcervejarias no Brasil – Wikipedia

 

Ser ou não ser (Uma escola cervejeira)? Eis a questão.

– Como podemos definir o que seria uma escola cervejeira autenticamente brasileira?

Para que surja o tão esperado e discutido estilo brasileiro de cerveja, primeiro é preciso que os insumos sejam exclusivamente nacionais. Somente isso? Não, pois a questão não se resume apenas a ingredientes brasileiros, mas também, ao mercado como um todo. Podemos exemplificar com a trajetória das quatro escolas cervejeiras, começando pelas duas mais antigas e tradicionais, Inglaterra e Alemanha.

A Alemanha desde sempre teve um mercado muito forte com cervejas, da época da idade média com monges de abadias, passando pelos mais importantes regulamentos da produção como a “Lei da Pureza”. A Inglaterra, o berço da revolução industrial, não foi diferente; teve como esse período uma explosão da produção de cervejas e as grandes cervejarias. Ajudou o mercado interno e externo a crescer com o potencial de grande exportadora de cervejas para o mundo. Esse mercado de cervejas tão forte e tradicional, fez com que estes países/regiões se modernizem para atender o consumo com qualidade e inovação na parte de insumos locais, métodos malteação de cevada, métodos de produção (rampas de temperaturas), desenvolvessem equipamentos, e outros, que fazem dessas duas escolas mais inovadoras e tradicionais.

Mais moderna, porém tradicional, a escola Belga teve muita influência pro meio cervejeiro. Contudo, alguns métodos inovadores e produtos locais, fazem essa ter sua personalidade única, sendo a terceira e formando o tripé das escolas cervejeiras. A Escola  – Americana – muito mais moderna e contemporânea, divide a opinião de estudiosos se é, de fato, uma escola cervejeira ou não. Todavia, seus lúpulos e seu mercado cervejeiro único, fez uma grande mudança no mundo cervejeiro, obtendo, portanto, destaque.

O Brasil está produzindo malte, levedura e lúpulo, com muita pesquisa para o desenvolvimento destes. O primeiro, ainda muito utilizado nas grandes cervejarias e mais consolidado a cada ano no país. A história da cerveja artesanal/especial no Brasil é muito recente e começou a ganhar força nos últimos 10 anos. Toda cautela é importante, pois o mercado vem crescendo, mas ainda é pequeno, representando 0,6% do consumo de cervejas. Investimentos na área ainda são baixos. A pesquisa na área de insumos cervejeiros pode trazer uma boa independência na produção, além da identidade.

Made in Brazil?

 

É muito prazeroso quando seu país se destaca ou participa de uma importante evolução. Mesmo a passos mais lentos, vemos que o Craft Beer Revolucion chegou para mudar completamente nosso conceito de cerveja. E essa mudança não ocorre apenas na mesa do bar ou na nossa geladeira, são diversos setores que estão voltando seus olhares para essas novidades. Se pensarmos nos insumos cervejeiros, já temos a presença de maltarias. Mas a importação ainda é necessária. O setor cientifico brasileiro está empenhado em contribuir com essa mudança. Destacamos abaixo as pesquisas para sairmos da utopia de sermos autossuficientes em insumos.

 

LÚPULO

 

                Ingrediente indispensável para a cerveja, o lúpulo tem seu prestígio nas escolas cervejeiras; e notoriamente, ele tem sido item importante para as cervejas especiais do nosso país. Através de importação é que obtemos este insumo, já que não somos produtores. Nosso clima não é característico para o cultivo dessa planta; mas tem gente que não se desanima com isso. Vários especialistas estão desafiando os paradigmas com pesquisas que possam impulsionar ainda mais nossa produção cervejeira, atualmente presa num mercado de importação de lúpulo nada convidativo.

                Apesar destes estudos estarem sendo feitos em escala pequena, eles são mais otimistas do que imaginamos. Sabe-se de histórias antigas de plantações no sul do país, por exemplo, por imigrantes para produção caseira; mas se perderam com a chegada das cervejas industriais. O engenheiro de produção Bruno Otávio Claudinho afirma – em entrevista para a Revista da Cerveja – que, por mais que se tenham algumas iniciativas, estamos engatinhando por dificuldades de plantio, seja naturais ou burocráticas. Mas demonstra animação destacando que o Brasil possui um grande potencial para a produção de qualquer dos insumos necessários para a cerveja e – no caso do lúpulo – precisaríamos de um auxílio tecnológico para chegar a um resultado satisfatório como, por exemplo, iluminação artificial no início do crescimento da planta.

                Outros importantes quesitos são necessários avaliar para impulsionar ou não a produção de lúpulo no Brasil. Um destes relevantes aspectos é a vantagem econômica. Item que seria extremamente interessante para o país, já que importamos cerca de US$42 milhões por ano em lúpulo. O engenheiro agrônomo de Curtiba/PR Felipe Francisco ressalta que a demanda por este insumo aumentou muito e, com isso, o preço subiu. E mais, só o desejo não nos ajudará a ter uma produção de qualidade.

                Um bom e estimulante exemplo é a participação da empresa Brasil Kirin nesses projetos. Primeiramente com a produção de uma sazonal (Baden Baden 15 Anos), uma cerveja no estilo Heller Bock. A cerveja foi produzida utilizando lúpulo brasileiro na receita, uma variedade única e exclusiva cultivada na região da Serra da Mantiqueira. A Brasil Kirin mantém um projeto de pesquisa em parcerias nesta região para o desenvolvimento do cultivo de lúpulo em solo brasileiro, com enfoque para futura distribuição às microcervejarias.

                Um dos desafios é se pensar adiante, com a paciência e mapeamento adequado. Serão necessárias diversas pesquisas, cruzamentos de cultivares para se chegar a uma criação própria do nosso país e, apesar das incertezas, não faltarão torcida para os “amantes do amargor” para conquistar a  autonomia brasileira deste insumo.

 

LEVEDURA

                Assim como a pesquisa do lúpulo tem sua relevância, não podemos nos esquecer da importância de se pensar numa levedura genuinamente brasileira. Isso é também um grande avanço para uma produção mais econômica dessa nossa recente história da cerveja artesanal.

                Tudo tem que ser muito bem analisado para nos trazer apenas benefícios, sabendo que a produção não pode ser engessada. Em entrevista para a Revista da Cerveja, o especialista em fermentação da Argentina, Marcelo Cerdán, aponta a necessidade de entendermos que as microcervejarias necessitam de ingredientes de qualidade para a fabricação de suas cervejas. E que a variedade de leveduras é benéfica. Pela quantidade de estilos existentes no mundo, a entrada da levedura brasileira acarretará num mercado mais competitivo e com mais opção para o mestre-cervejeiro.

                É necessário frisar o quanto o momento que estamos passando é fundamental historicamente para estilos legitimamente brasileiros. Glauco Caon – pós-doutor em Bioquímica e fundador/sócio da Cervejaria Anner-  afirma que “sem insumos – malte, lúpulo ou fermento – desenvolvidos aqui, nunca teremos um estilo brasileiro de cerveja. Temos que nos lembrar que os americanos criaram uma escola inteira baseada apenas em novas variedades de lúpulos desenvolvidos com pesquisa, Imaginem o que poderemos fazer quando aliarmos nossa criatividade com a biodiversidade que temos.” (Revista da Cerveja, 2015 – edição 17). Glauco ainda brinca com um sonho de começarmos a ter certo prestígio, levando nossas cervejas aos EUA para, por exemplo, sermos convidados a mostrar o que fazemos.

Sabemos que o caminho é árduo e longo, mas é um possível começo; aumentando assim o interesse brasileiro na produção artesanal. Esses estudos são muito bem vindos aos amantes da boa cerveja e são definidores para que aventureiros que queiram fazer de qualquer maneira não causem retrocessos.

É evidente que teremos dificuldades. A recente produção de fermento cervejeiro encontra obstáculos sobre a fatídica diferença entre nossas leveduras e as internacionais; problema que diminui cada vez mais. Além disso, ainda não produzimos fermento seco ou liofilizado, o que poderia tornar talvez a levedura mais barata (apesar de não ser esta a realidade atual com as leveduras secas ou liofilizadas importadas) e durável.  Portanto, são diversidades normais, neste início produtivo, mas nota-se um significativo crescimento de leveduras pastosas e/ou líquidas.

Dados e mapeamento dos estudos podem nos ajudar a ter um balanço desse importante passo com o fermento cervejeiro. Nosso país possui boas matérias-primas e, com a tecnologia certa, podemos atingir um cultivo de maior proporção. Afinal, não estamos presos a questões climáticas, por exemplo. Infelizmente, a questão burocrática pesa bastante. O Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen) e sua fiscalização atrasam a produção industrial de leveduras, já que pode demorar 4 anos para liberação.

Mas e o custo disso tudo? Existe uma barreira econômica, de fato. Desde investimentos, novas tecnologias, fabricação e comércio desse fermento, tudo passa por essa comparação com o mercado internacional. Porém a briga está boa. Algumas opções (como a versão líquida) se tornam mais viáveis graças a um acesso mais regular do que as internacionais.                

A importância da levedura para a cerveja é evidente. Fermentação alcoólica, ésteres, dentro outros, fazem dela um ingrediente cheio de particularidades. Um organismo vivo, que influencia muito no produto final. A bióloga Gabriela Montandon nos ajuda a concluir que essas pesquisas e produções de leveduras, são historicamente fundamentais, pois “de alguma forma contribuo para a comunidade acadêmica, pois isso é patrimônio brasileiro.”. (Carta Capital (site) – publicado em 04/09/2015). Sendo assim, leveduras: podem vir quentes, que o mosto brasileiro está fervendo.  

– O que dizem os especialistas?

1 – O que torna um país uma escola cervejeira?

 

Fernando Carvalho (Instituto da Cerveja):

Para um país ser uma “escola cervejeira” eu vejo a necessidade imprescindível de atender a ao menos dois requisitos básicos:

a) Possuir um mercado consumidor maduro, capaz de absorver uma boa diversidade de estilos e assim fomentar a criatividade e a competição. Não existe como criar uma “massa crítica” cervejeira com alcance global sem um mercado interno forte e comprador de cervejas “especiais”.  Para influenciar o mundo você tem que ser forte dentro da sua casa.

b) Ser capaz de gerar um perfil próprio de consumo, criando adaptações e estilos para atender este perfil de mercado interno. Para isso você precisa de consumidor maduro (item a) e formação de técnicos capazes de realizar estes estilos com qualidade e formalidade. É preciso profissionalizar.

 

Gabriela Montandon (Pesquisadora):

A denominação “escola cervejeira” no meu ponto de vista requer no mínimo o reconhecimento da identidade dos aspectos culturais, históricos e/ou inovação no modo de elaborar, consumir ou tudo que envolve o universo cervejeiro de uma determinada região. A alteração dos padrões e uma forma única ou especial de inovar para atender um mercado. Não se cria uma escola cervejeira de um dia para o outro, mas sim no tempo necessário mediante o reconhecimento de certas tendências e características únicas adotadas que servirão de exemplo e influência no mercado especializado.

 

Ronaldo Morado (Larousse da Cerveja):

Mais do que uma questão técnica de estilos e ingredientes, uma “Escola Cervejeira” tem atrás de si uma “Cultura Cervejeira”. Não fica circunscrito à comunidade cervejeira.

A alemã (Germânica, de fato) é milenar, está impregnada na vida do povo, com tradições enraizadas na sua cultura de cervejarias, festas, modelo de negócio e comportamento, não só da comunidade cervejeira, mas de todas as pessoas. A cultura cervejeira belga vai muito além da liberdade de criação de estilos. Ela é o retrato da importância da cerveja na estrutura social da região. A grande maioria de suas cervejarias e cervejas surgiu no meio rural, sem grandes preocupações técnicas, mas com personalidade única – liberal, descontraída, quase anárquica. Já o Reino Unido, uma sociedade conservadora e tradicionalmente cervejeira, retratada não só pela variedade de estilos, mas o ambiente que respira a cultura cervejeira em seus pubs – uma instituição nacional. Os americanos, apesar de não terem uma cultura milenar, são responsáveis por uma releitura das outras três escolas, não só resgatando estilos esquecidos e acrescentando inovação e tecnologia.

Cada uma dessas “Escolas”  têm sua personalidade própria, são diferentes entre si, e envolvem muitos outros aspectos da sociedade – comportamento, tradições, atores da cena cervejeira etc…

 

Alfredo Almeida Desco (Barth-Haas):

No momento somente vejo três escolas oficialmente. São elas a Alemã, a Belga e a Inglesa. E vem atrás o desenvolvimento da escola Americana. Não sei se esta se caracterizaria mesmo como uma escola, pois na verdade incorpora vários aspectos das outras três, sempre aumentando as características da cerveja, seja em relação ao teor alcoólico, ao amargor, aos condimentos adicionados etc. Cada uma das escolas existentes tiveram motivos históricos para se desenvolverem, como no caso da existência do Reinheitsgebot na Alemanha, que limitou o uso da criatividade no desenvolvimento de vários estilos de cerveja.

 

 

Walter Borelli Pölzl (Malteria Blumenau):

A importância econômica em primeiro lugar. A sua riqueza cultural nas diversas áreas e a influência que esta força cultural tem sobre outros países.

O domínio da técnica e conhecimento específico que leva a produção do produto com qualidade também ajuda. Pois quando a qualidade do produto de quase todo o país pode ser reconhecida como de boa qualidade, esta qualidade tem capacidade de influenciar outros e gerar um rótulo positivo.

 

2 – O Brasil tem potencial para se tornar uma escola cervejeira?

 

Fernando Carvalho (Instituto da Cerveja):

Claro que sim. Temos tradição no consumo da bebida (ainda que possamos questionar a qualidade dos nossos bebedores) e grande mercado interno. Precisamos criar um perfil de consumidor mais maduro, exigente e educado, capaz de demandar com maior clareza e assim começar a rodar o ciclo. É o paladar do nosso consumidor que definirá o que será a “cerveja tipicamente brasileira” e, deste conceito, emergirá a “Escola Brasileira”. Mas isso não vai acontecer de uma hora para outra e nem será fácil.

 

Murilo Foltran (Dum) e Andre Junqueira (Morada Etílica):

Não faz sentindo pensar em escola cervejeira Brasileira antes de criarmos uma cultura cervejeira e um mercado, precisa se construir um ambiente nacional favorável para que possamos a vir criar uma tradição, cultura e novos estilos. É uma perca de tempo, no momento atual, ficar querendo achar “escola brasileira” e “estilos nacionais”, precisa antes criar uma cultura e um mercado cervejeiro.

 

Para Ronaldo Morado (Larousse da Cerveja):

Não. Não vejo, no Brasil, uma “cultura” que envolva características únicas e particulares, que a distinga das outras quatro. Mesmo que criássemos um novo estilo que chamássemos de “brasileiro”, não existem aqui no país características culturais que embasem um conjunto cultural novo e diferente. Usar ingredientes locais é característica de todas as outras escolas. Veja o caso americano, que usa abóbora etc, lúpulos nacionais, cepas de leveduras novas, inovações tecnológicas, festivais de cerveja, movimento homebrewing etc.

Marcelo Carneiro (Colorado):

Se o Brasil pode ser o terceiro mercado do mundo em tamanho, pode também criar sua escola. Teremos uma escola brasileira de fazer cerveja do nosso jeito se assim o quisermos, e vários estão querendo.

 

Gabriela Montandon (Pesquisadora):

Certamente. O uso de matérias primas próprias, seja no uso de nossas especiarias, madeiras locais até mesmo leveduras ou outras fontes da nossa biodiversidade, aliada a qualidade e aceitação do mercado, podemos ter reconhecimento de certa unicidade nos nossos produtos. Mediante adoção desta tendência pelas cervejarias e geração de produtos tipicamente brasileiros com uso dessas práticas, ao longo do tempo teremos reconhecimento suficiente do mercado cervejeiro mundial e consequentemente sermos reconhecida como país identidade própria.

 

Alfredo Almeida Desco (Barth-Haas):

O Brasil pode criar seus estilos próprios de cerveja sim, aproveitando de suas frutas tropicais e condimentos locais. Porém, para dizer que uma nova escola será criada precisarei ser muito criativo, pois assim como a “escola” Americana, a Brasileira vai acabar buscando uma mistura das características já existentes nas outras 3 (ou talvez 4) escolas.

 

Walter Borelli Pölzl (Malteria Blumenau):

Sim, há uma busca por novidades. O Brasil como líder na América do Sul toma sempre a frente na região. A partir do momento que criarmos nossa identidade podemos ser seguidos e influenciar os outros países.

Isto está se formando com o fechamento do ciclo de fornecimento. Revistas, escolas, cursos, concursos, festivais, fornecedores de equipamentos, copos, cervejarias, distribuidores, malterias locais e em um futuro lúpulo. Isto gera profissionais locais. Estes desenvolvem tecnologia local e naturalmente vai diferenciando rótulos, matérias primas, equipamentos e quando menos se espera um estilo próprio surge. É darwiniano. É quase como a teoria da evolução das espécies.

 

3 – O desenvolvimento de uma variedade “brasileira” de lúpulo seria um dos caminhos para tornar o Brasil uma futura escola cervejeira?

 

Alfredo Almeida Desco (Barth-Haas):

Pelos motivos expostos no item 2 acima, entendo que o desenvolvimento de uma variedade brasileira de lúpulo não seria suficiente para ajudar na criação de uma escola Brasileira de cerveja.

 

4 – O desenvolvimento de um tipo “brasileiro” de malte (por exemplo, uma tosta diferenciada, com madeiras brasileiras) seria um dos caminhos para tornar o Brasil uma futura escola cervejeira?

 

Walter Borelli Pölzl (Malteria Blumenau):

Malte diferenciado nacional… Sim é algo que pode ajudar a diferenciar sim. Se não há opção de malte o que acontece é que você comprar um malte alemão e sua cerveja vai sempre ter um sotaque. Temos na Malteria Blumenau 3 maltes com nome de Blumenauer 1, Blumenauer 2 e Blumenauer 3, com escala de cor crescente. É um tentativa nova de que as cervejarias locais usem este malte e comecem a produzir uma cerveja típica do malte Blumenauer – feita em Blumenau. Os cervejeiros ainda não perceberam, mas a ideia da Malteria é nova. Como agora temos no Brasil o domínio da produção de malte especial o céu é o limite. Tudo pode ser feito. Podemos fazer malte de milho de pipoca. Agora é importante ter o domínio técnico do processo e ter uma cadeia consumidora não dispersa e desunida.

Conclusão

Trilhar um caminho no país para o aumento de produção e de consumo das craft beers demanda paciência e qualidade. É extremamente necessário que possamos ir além da paixão cervejeira. Apesar dela estar presente como inspiração, é no trabalho sério que podemos nos aproximar, por exemplo, dos Estados Unidos dos anos 80. Afinal eles souberam “ desafiar as tendêncas do inexpressivo, produzindo cervejas de diferentes estilos e personalidades sensorias.”  (SAORIN, Cilene. Prefácio de A mesa do Meste-cervejeiro.2012).

Se nos atrelarmos a bons cursos e treinamentos de brigada de serviço, além de utilização de insumos e receitas de qualidade – se preocupando inclusive com a experiência sensorial do consumidor final – podemos evidenciar o que as cervejas brasileiras podem oferecer.  Esse consumidor final mudou nos últimos tempos. Cilene Saorin nos lembra do prefácio do livro de Garrett Oliver que “o movimento ‘beba menos beba melhor’ é uma tendência de comportamento entre brasileiros, e seus efeitos são claramente benéficos – a saúde melhora e as experiências gastronômicas são recompensadoras e estimulantes.”

Não temos dúvida que a cerveja foi valorizada com o passar dos anos no Brasil, onde a paixão pela bebida acabou orientando o comércio vigente a investir nesse segmento, Desde o século XIX, – em São Paulo, por exemplo – vimos projetos como a criação do Parque Antarctica, atrelados  ao uso da bebida como prazer. “Um dos motivos da criação do Parque era tornar a cerveja uma bebida ainda mais popular, já que uma multidão o frequentava nos finais de semana e feriados.” (SOUZA, Diógenes Rodrigues de Parque Antarctica – Um Patrimônio do Lazer na Cidade de São Paulo no Início do Século XX. ). Portanto, se vierem os investimentos e projetos suficientes, seremos capazes de nos diferenciarmos das outras escolas cervejeiras? É provável que sim. Desde os primórdios é suposto que o consumo brasileiro desta bebida fermentada e suas diferenciações de louças (tigelas), composições e ingredientes permitia “aos diversos grupos Tupi do sudoeste amazônicos e diferenciar uns dos outros e de outros grupos não Tupi.” (ALMEIDA, Fernando Ozorio de).

Diferente das outras escolas cervejeiras, que tiveram tempo, mudanças históricas, geográficas e climáticas que impactaram diretamente a formação e criação de costumes na forma de fazer e apreciar a cerveja, a “escola brasileira” ainda encontra se em um estado embrionário, com muitos caminhos possíveis e que somente com um amadurecimento e um longo período de descobrimento e aperfeiçoamento, juntamente com uma demanda do publico em consumir cervejas brasileiras pode começar a lapidar um gosto brasileiro autêntico. E não tem como deixar de continuar a nos questionar: Quais são as características que temos aqui que podem realmente criar uma tendência de estilos e que justifique uma ~Escola Brasileira de Cerveja~?

Bibliografia

ALMEIDA, Fernando Ozorio de. A arqueologia dos fermentados: a etílica história dos  Tupi-Guarani , publicado em Revista Estudos Avançados USP. Edição 83 – 2015.

BELTRAMELLI, Mauricio. Cervejas, Brejas & Birras – Guia para desmistificar a bebida mais popular do mundo” . Editora LeYa, 2012.

LÉRY, J. de. Viagem à terra do Brasil, Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1980.

MADEIRA, Juliana Salles. Monografia de conclusão do curso de ciências sociais. Perfil do consumidor de cervejas especiais. Uma contribuição para o estudo do consumo nas ciências sociais. Campinas, 2015

MORADO, Ronaldo. Larousse da Cerveja. Editora Larousse. Sáo Paulo, 2011.

OLIVER , Garriet. A mesa do Meste-cervejeiro. Descobrindo os prazeres das cervejas e das comidas verdadeiras. Senac, 2012.

REVISTA DA CERVEJA. Ano 4 – Edições 16, 17, 18.Porto Alegre, 2015

SANTOS, Sergio Paula de. Os primórdios da cerveja no Brasil. Ateliê Editorial. São Paulo, 2004

SANTOS, José Ivan. Rbert Dinham, Cesar Adames. O essencial em Cervejas e Destilados. Editora Senac São Paulo, SP, 2013.

SOUZA, Diógenes Rodrigues de. Trabalho de Conclusão de Curso. Parque Antarctica – Um Patrimônio do Lazer na Cidade de São Paulo no Início do Século XX. Guarulhos, 2014

SITES

*Brewers Association ( https://www.brewersassociation.org/directories/breweries/ )

* Carta Capital. Em busca de uma cerveja “genuinamente” brasileira. Setembro/2015

( http://www.cartacapital.com.br/revista/865/sabor-da-terra-1621.html)

* Mostronautas Homebrew. ESCOLA CERVEJEIRA BRASILEIRA. 21/10/2015

(http://www.mostonautas.com/15-10-21-escola-cervejeira-brasileira/)

* Notícias Cervejeiras. Escola Brasileira de Cerveja? Novembro/2012

( http://noticiascervejeiras.blogspot.com.br/2012/11/escola-brasileira-de-cervejas.html)

* Wikipédia – Lista de microcervejarias no Brasil

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_microcervejarias_no_Brasil)

One Response to “Cervejas Especiais no contexto nacional: passado, presente e futuro”

  1. Gabriel setembro 28, 2016 at 10:46 pm #

    Nenhum comentário sobre a cervejaria da cidade de Manaus, a Camargo e Corrêa. Fundada no auge do ciclo da borracha, e com o prédio ainda em existência, produzia gelo, chopps e cervejas para todo o norte do Brasil e exportava para Europa e Estados Unidos. Foi nesta cervejaria que o primeiro elevador do país foi instalado.

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